domingo, 30 de junho de 2013

FONDUE & CIA

*Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria
Um prato típico muito esperado neste período de inverno - e por sinal cai muito bem - é o Fondue. Diretamente de terras alpinas, é certamente o prato mais representativo da culinária suíça. É preparado com queijos fundidos (daí o nome) e servido de uma maneira muito especial, que mescla simplicidade, requinte a um sabor envolvente.



A panela de fondue é também conhecida como "aparelho de fondue"; muito presenteada em casamentos, porém pouco usada num país quente como o nosso. É composta por uma base que a suspende e um fogareiro a álcool, necessário para manter a mistura aquecida e quase líquida; vem acompanhada de utensílio próprio para o serviço, seis a oito garfos com hastes longas de apenas dois dentes para prender bem o alimento que será mergulhado à mistura ali aquecida.

Existem histórias controversas quanto à origem do prato. Alguns acreditam que sua invenção vem dos mosteiros da Idade Média, outros que foi uma alternativa de aproveitar queijos endurecidos pelo frio que camponeses, para não morrer de fome ou perder a produção que eles mesmos fabricavam, reuniam os restos de queijos e depois consumiam a mistura derretida com pedaços de pães. Há, ainda, outra versão que atribui a criação da receita aos soldados da Segunda Guerra Mundial; entretanto, há somente um registro para esta versão, na cidade de Zurique, em um livro de culinária datado de 1699.

Independentemente destas diferentes versões históricas, há em todas elas algo em comum: o da reunião de pessoas, seja para comer o pão com os queijos em fusão ou para compartilhar do mesmo recipiente à mesa. A receita tradicional é a de queijo gruyère, emmenthal, estepe, vinho branco seco e especiarias como a noz-moscada e pimenta do reino. Pode ser servido para espetar o pão italiano, presunto em cubinhos, grissinis, torradas e, por que não, os nuggets de frango. Porém, a criatividade trouxe outras variações: o fondue de chocolate e o de carne, este último chamado de fondue à borguignonne.

O fondue de carne (geralmente filé mignon) é o preferido por ser uma carne tenra e magra, mas também tenho visto feito com frango, picanha, maminha, fraldinha, peixe e, até, camarão que, individualmente, são mergulhados no óleo fervente e, antes de comer, a carne frita é passada em um molho bem condimentado. Geralmente se disponibiliza em ramequins (potinhos de porcelana) uma diversidade de molhos que confere um contraste de sabores a elas. Se for tentar fazer isso em casa, tome muito cuidado, pois o óleo quente sobre a mesa em uma panela com tripé e fogo aceso em álcool, principalmente se houver crianças por perto, pode ser um desastre! Sinceramente este não me apetece muito; o cheiro de fritura fica acentuado ao redor da mesa e impregna na roupa e cabelo. Em Gramado (RS) as tradicionais casas de fondue servem primeiramente o prato salgado para opção do freguês, frita ou em uma chapa de pedra que vai à mesa e, como sobremesa, o doce.



A versão doce do prato se sobressaiu à salgada; também pudera, feito com o melhor chocolate do planeta, o suíço, seduz a qualquer um... A combinação é perfeita: chocolate ao leite, chocolate meio amargo e creme de leite fresco, regado a uma dose de conhaque, incorporado ao sabor das frutas frescas (morango, kiwi, uva, banana, maçã, tangerina, abacaxi, framboesa, damasco), ou com as guloseimas: waffles, suspiros, marshmallows, alfajores, gominhas e bolachas amanteigadas são mesmo de dar água na boca. Há, ainda, nas versões com chocolate branco, leite condensado e marshmallow levado ao fogo em banho-maria transferido para o aparelho de fondue e servido com bolo de chocolate ou brownie. Esta variante doce pode ser adaptada para os diabéticos, basta substituir os chocolates ao leite e amargo por um do tipo diet.



Tanto para a moda doce ou salgada de fondues, um bom vinho o acompanhará do começo ao fim do serviço. Os convidados ao redor da mesa, aquecidos e acolhidos pela companhia dos afetos, da panela e do vinho, se confraternizam e intensificam seu relacionamento a cada garfada. Afinal, comer junto é praticar a hospitalidade, repartir alegrias, dons, aflições, ansiedades e o pão.

Faça um fondue. Reúna os amigos ou uma companhia bem especial neste inverno e, como diria Roberto Carlos,  “Que tudo mais vá pro inferno”.

Bom proveito! Até breve...

sábado, 29 de junho de 2013

DESCRIÇÃO - A ILUMINAÇÃO DO TEXTO

*Escritora, membro da União Brasileira de Escritores - UBE e da Academia Araçatubense de Letras - AAL

Ao encontrar, em minha estante, um livro didático, “Flor do Lácio”, editado em 1964, de Cleófano Lopes de Oliveira, ilustre professor paulistano da época, tive a curiosidade de folheá-lo para tentar reconhecer o ensino de então, hoje citado como clássico e obsoleto. 

Devo confessar que me surpreendi com a riqueza dos textos ali apresentados, o cuidado com a seleção de trechos que fizeram o repertório lítero-cultural de tantos jovens daquela década. Foi por meio daqueles excertos que entramos em contato com as mais preciosas composições literárias de renomados autores brasileiros. 

O que mais me chamou a atenção, porém, foi o capítulo sobre a descrição, método utilizado para situar o leitor no contexto do objeto tratado pelo escritor. Sobre o assunto, diz em seu livro, o ilustre mestre:

“A finalidade precípua da descrição é fazer ver e sentir, o que exige de quem escreve as mesmas qualidades indispensáveis à arte e à pintura.”

Em outro trecho diz:

“A descrição não pode deter-se em minúcias inúteis ou desinteressantes, nem abandonar dados essenciais, que se devem procurar pela observação e pela imaginação”.

A inclusão de descrições no texto já atormentou e  continua a atormentar estudantes e escritores, por ser ponto obrigatório da literatura, tanto em prosa quanto em versos.

Muitas vezes encontramos textos repletos de frases, expressões ou palavras descritivas que não dizem nada, totalmente desprendidos do contexto focalizado, sem função específica de dar luz ao entendimento que se quer do leitor. Por isso, faz-se necessária a cuidadosa seleção de vocabulário, de adjetivos, de figuras literárias, tudo com uma fineza de intenções que levem a esse leitor sensibilidade para entender a intenção do autor do texto. Por exemplo, se nós escrevermos que uma paisagem é linda, nada diremos porque esse adjetivo pode reportar o leitor para a paisagem que ele tem por “linda” e não à paisagem que o autor do texto deseja descrever. Mas este exemplo é apenas um grão de areia na praia das descrições que margeiam textos por aí. 

Ainda diz o renomado professor: “A descrição é um gênero que tem cabimento em todos os demais gêneros literários, neles aparecendo sob diferentes formas: energia - pintura viva e rápida de uma situação; retrato físico ou moral - reprodução das feições ou do caráter duma pessoa ou dum animal; cronografia – descrição das circunstâncias do tempo em que sucedeu um fato; topografia – indicação das particularidades de um lugar.”

Portanto, descrever é um processo que depende de conhecimento vocabular, relações explícitas das palavras que compõem a frase, escolha adequada de figuras literárias, coerência entre  texto e contexto, concisão, objetividade, clareza das expressões descritivas. Tudo isso e muito mais estudos e conhecimento da língua com que se expressa o escritor darão a ele oportunidades de distribuir luzes pela sua composição literária.

E o leitor, por certo, agradecerá.                                       

sexta-feira, 28 de junho de 2013

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

*Graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie
As recentes manifestações que ocorreram no Brasil - e que ainda ocorrerão - partem de um motivo aparentemente pequeno, mas que na realidade é de primeira importância para o funcionamento das cidades.

Enquanto urbanista, considero que mobilidade urbana é tema fundamental das discussões contemporâneas sobre ajuntamentos urbanos. As cidades estão cada vez maiores, cada vez mais segregadoras e com serviços cada vez menos eficientes e sustentáveis. A relação entre a curva de demanda e de qualidade é inversamente proporcional, o que torna nossas "urbes" cada vez piores.

Se no começo do  século XX, a Revolução Industrial levou grande massa trabalhadora do campo para as cidades inglesas, francesas e alemãs, no Brasil, esse processo tardio foi sentido na metade do século XX. 

Toda a América Latina recebeu multinacionais interessadas na excessiva mão de obra barata e num pequeno mercado burguês. A velocidade dessas mudanças exigiu que um planejamento na área de transportes fosse feito para que as cidades pudessem comportar a demanda humana, mas não foi isso que aconteceu. 

Desde os planos desenvolvimentistas da metade do século passado, o Brasil tem investido esforços em um sistema de transporte rodoviário individualista. Partindo de um abandono de nossas ferrovias até os projetos de pistas elevadas – como o Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão, em São Paulo – nas capitais brasileiras, o automóvel tem sido priorizado como meio de transporte. Evidentemente que no meio dessa novela, o governo se colocou como “refém” de corporações, beneficiando multinacionais como a Volkswagen e Chevrolet; (pode ter sido um investimento ingênuo, mas eu prefiro acreditar que, nesse caso, os bilhetes que correram sob a mesa deram a voz final). 

Na cidade de Londres, o primeiro metrô  foi construído em 1890. O primeiro metrô brasileiro foi construído em 1975, na cidade de São Paulo, quando a população já alcançava os milhões. Para quem pensa que é natural que cidades latinas demorem anos para absorver o desenvolvimento europeu e atrasem os investimentos nos serviços básicos urbanos se engana. Buenos Aires teve sua primeira linha de metrô em 1913. Mas nem mesmo o atraso em investimentos justifica a pequena malha de metrô que as cidades brasileiras oferecem. A Cidade do México teve sua primeira linha construída em 1969, na época em que São Paulo também começava seus investimentos em metropolitanos. Entretanto, enquanto São Paulo tem hoje 74,3km de linhas, a Cidade do México tem 177km. Esses números servem para mostrar que há um certo desinteresse de nosso estado em proporcionar um sistema de transporte público de qualidade.   

No correr da década de 1980, enquanto as cidades africanas enlameavam-se em guerras civis tentando sobreviver aos resultados de anos de exploração dos países no norte, as massas urbanas europeias e norte-americanas passaram a discutir sobre sustentabilidade. Essa discussão apontou que a mobilidade urbana deveria ser um dos principais campos de investimentos das gestões. Os estados deveriam oferecer um transporte não poluente, público, coletivo e de qualidade. Com o crescimento das metrópoles e cidades globais (Changai, Nova Iorque, Cidade do México, São Paulo, Paris etc...) viu-se também o crescimento do caos urbano. Já se discutia a insustentabilidade social, econômica e ecológica que é transportar milhões de passageiros em carros e super avenidas. 

No caso de São Paulo, todos os dias, um Uruguai (3 milhões de pessoas) sai da zona leste e vai para o centro financeiro da cidade. São proporções chinesas. No caso de Araçatuba, os números são bem menores, mas o mecanismo é o mesmo. Não sou um estudioso do caso de Araçatuba, mas, aparentemente, o sistema público de transporte não é muito diferente de outras cidade brasileiras, guardadas as devidas proporções. A partir de exemplos, podemos propor soluções genéricas que encarem a mobilidade urbana como um SISTEMA.     

Assim como em muitas cidades, há em Araçatuba um centro comercial que atrai trabalhadores e áreas periféricas que são, predominantemente, residenciais. O ideal, de acordo com as teorias do “New Urbanism”, é que serviço e habitação dividam as mesmas áreas, de modo que as pessoas morem na área central e que haja centralidades comerciais nas periferias, a fim de evitar deslocamentos. Entretanto, não é o que acontece. Diariamente pelas manhãs, o trânsito é intenso no sentido periferia-centro e pela tarde, ao final do expediente, é inverso. Geralmente, os ônibus fazem o trajeto periferia-centro-periferia, passando por um “grande” terminal central que distribui os fluxos pela cidade em diversos sentidos.


No caso de Araçatuba, o sistema é alimentado somente por ônibus e micro-ônibus. Acredito que esse sistema é bastante interessante, mas não podemos acreditar que seja o único modelo capaz de resolver todos os problemas de mobilidade. Investir em transporte público de qualidade é muito mais do que disponibilizar meia dúzia de ônibus velhos para carregar pobres que só utilizam este serviço por falta de opção. Precisamos oferecer um sistema capaz de suprir as demandas em todos os níveis sociais. Melhorar a qualidade, a frequências e os pontos são só os primeiros passos para um sistema de transporte público eficiente.

Mas até pegar o ônibus, no trajeto entre a casa e o ponto, o cidadão tem que andar por calçadas perigosas e desinteressantes. Nossas calçadas são estreitas, esburacadas, cheias de interferências (postes, lixeiras, grades, degraus) e, consequentemente, pouco convidativas. Uma pesquisa realizada em São Paulo, mostrou que 30,8% dos trajetos realizados na capital são feitos a pé. Por mais incrível que possa parecer, as pessoas ainda costumam usar as pernas e pés para se movimentar e não só para acelerar um pedal. Por que não incentivar esse meio de transporte com projetos de calçadas arborizadas, regulares e pavimentadas, sem interferências, largas e convidativas? A mobilidade começa na calçada.  Um dos bons exemplos é a calçada da Avenida São Luís, em São Paulo.


Este é um bom exemplo de uma calçada sombreada, pavimentada, larga, própria para cadeirantes e com acessos à lojas e serviços no nível do pedestre. Ainda que falte o piso tátil para deficientes visuais, ela serve como modelo. Abaixo, temos a foto de uma rua em Araçatuba, que não possui, sequer, a calçada e, por isso, foi motivo de um inquérito instaurado pelo Ministério Público. 

Mas um sistema de qualidade é necessariamente um sistema misto. Além das calçadas e dos ônibus, há também os VLTs. VLTs ou Veículos Leves sobre Trilhos são comboios, como o metrô, mas que percorrem trilhos instalados em superfície numa velocidade reduzida, dividindo o espaço das ruas com os carros. Algo parecido com os antigos bondes, mas mais modernos e eficientes. No Brasil, algumas cidades já possuem projetos, mas apenas em poucas estão em processo de execução, como é o caso de Brasília. Em cidades europeias esse sistema é mais utilizado. A cidade de Araraquara já possui um projeto humilde, mas competente, de um VLT que liga dois bairros numa extensão de 12km. 


Outro sistema de transporte eficiente, que pode ser integrado, é a ciclovia. Atualmente, em Araçatuba, existe uma ciclovia na Rua do Fico que leva o nada ao lugar nenhum, além de outro trecho de igual performance na região da Unimed. Não sei quem teve a brilhante ideia de pintar o asfalto de vermelho e acreditar que estivesse criando uma ciclovia. Ciclovia é muito mais do que uma faixa vermelha no asfalto. Ela precisa ser integrada com outros sistemas de transporte, de modo que o cidadão possa sair da casa pela manhã, quando o sol ainda é fraco, e pedalar por POUCOS quilômetros até um terminal urbano ou estação de VLT com bicicletário disponível para guardar a bicicleta. Ao final do dia, o trajeto inverso pode ser feito sem grandes problemas.

Abaixo, temos a foto do sistema de ciclovias da cidade de Sorocaba, no interior do estado de São Paulo. É um dos mais eficientes do País e uma de suas maiores características é a conexão com os outros tipos de transporte.


Devemos nos atentar para nossos hábitos. É muito importante rever nosso sistema de transporte considerando, a priori, que vivemos em uma sociedade urbana. O equilíbrio dessas relações depende também do funcionamento efetivo dos serviços necessários para a mínima qualidade de vida. Já é evidente que o transporte em carros ultrapassa as discussões de insustentabilidade ecológica e atravessa os debates de insustentabilidade social. O desafio é mudar a mentalidade de que transporte coletivo é serviço de pobre e proporcionar qualidade suficiente para que a classe média e alta abra mão do carro e passe a usar um sistema público mais barato, mais sustentável e eficiente.    

Enquanto aqueles (nós) que não estão preocupados com o transporte coletivo permanecerem achando que é normal rico andar de carro e pobre andar de ônibus, continuaremos a conviver com os mesmos problemas sociais com os quais convivemos há anos. Investimento em mobilidade urbana é benefício para a sociedade de modo geral. Não precisamos fazer campanha contra os altos impostos embutidos nos automóveis produzidos no Brasil. Precisamos fazer campanha contra um sistema individualizado e lutar por cidades mais democráticas e eficientes. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

FERNANDA RUSSO

*Artista plástica, contadora de histórias e escritora

Fernanda Russo
Esta semana falaremos de Fernanda Russo, minha amiga e exímia artista plástica. Fernanda é formada em Comunicação Social / Publicidade e Propaganda, mas sua formação começou na infância, com o também artista plástico, Sílvio Russo, um dos maiores responsáveis pela sua formação. Com ele, aprendeu muito. Frequentavam museus e o seu lugar preferido era o ateliê, onde muitas vezes observou o pai pintar e desenhar. Também fez aulas de artes com Márcia Porto, Renata Madeira, Arnaldo Filho e Albano Afonso. Hoje, é professora de artes na rede particular de ensino e continua aprendendo todos os dias, dando aulas.
Tem admiração e recebeu influência em seus trabalhos dos seguintes artistas: Silvio Russo, Gustav Klimt, Vik Muniz, Rosângela Rennó,  entre outros. Participou de várias exposições em Araçatuba, Penápolis, Birigui, Vinhedo, Valinhos, Campinas, Atibaia, São Paulo e em Neumarkt (Alemanha).
Junto com o Bando Arteiros (grupo que mistura várias linguagens artísticas da qual faz parte, com artes visuais) e o projeto Óptica Sonora (que é uma junção de música e fotografia) realizou várias mostras em Araçatuba, Lins, Guararapes, Birigui, Três Lagoas, Rio Preto e, ainda esse ano, estará em Marília e Ourinhos.
O Bando Arteiros e o Óptica Sonora são dois grandes projetos que tem junto a outros integrantes. A intenção é levar arte para todos os lugares possíveis, de forma dinâmica e agradável. Outro projeto em curso é seu ateliê, que está quase pronto.
Bando Arteiros: várias linguagens da arte juntas

A artista entende Arte como tudo aquilo que é pensado e feito de forma criativa, com a essência e a verdade de quem a faz, independente da linguagem artística. A Arte faz parte da vida, e é o reflexo do nosso tempo (a cada tempo o seu), aonde o artista expõe o seu modo de pensar e ver o mundo.
Ela pondera que nos países onde a cultura e a educação são prioridades, a Arte é tratada com respeito e valor pela maioria das pessoas. Ela acaba fazendo parte da vida dessas pessoas de forma natural. Nos lugares onde a cultura é tida como secundária e “separada” da vida cotidiana, a Arte não encontra muito espaço e chega, inclusive, ser desrespeitada.
"No Brasil ainda falta muito para a Arte ser valorizada como deveria, é necessário maior investimento na formação cultural das gerações futuras e estimular o interesse e possibilidades para as pessoas em geral. Num País onde se valoriza músicas de “duas palavras” fica difícil fazer essas pessoas gostarem de algo mais consistente", enfatiza a artista. Para ela, muitas vezes a “boa” Arte é ensinada na escola, mas só os que têm predisposição são os que se interessam. Muitas famílias acham que o estudo das artes é desnecessário, só serve para decoração, não percebem que se o filho “aprender” a usar o lado direito do cérebro ele se tornará uma pessoa mais criativa em todos os âmbitos da vida.
A experimentação é marca da artista
Temas e técnicas diversas

Em Araçatuba e região, vejo muita gente interessada em artes plásticas, bem intencionada e criativa; mas também há falta de conhecimento de alguns para o que realmente a Arte serve.
Para que esse cenário negativo mude, faz-se necessário trazer e mostrar a Arte para população, mas só isso não basta. É preciso orientar e educar o olhar de quem vê. Iniciativas privadas ou públicas são sempre muito bem vindas.
Não existe mundo sem Arte. A Arte está em todos os lugares. Nos museus, na arquitetura da cidades, na música boa, no cinema inteligente, na comida, desde o simples ao sofisticado, no vestuário e no estilo de vida de algumas pessoas... enfim, basta observar. O mundo precisa de arte e do olhar de quem a admira.
Fernanda não segue regras fixas; já trabalhou com vários tipos de materiais e suportes. Começou pintando telas e depois foi experimentando de tudo: papelão, papel, objetos, resina, fotografia, vídeo, intervenção, instalação... Tem feito trabalhos em papel com canetas hidrocor e intervenção em fotografia com caneta digital. Para ela, qualquer coisa pode ser material de trabalho, basta ser atraída no momento exato. Seu tema é o mundo como o vê e sente.
Desde criança vive da Arte. Seu pai pagava as despesas da família com o trabalho artístico. Depois de adulta, continua vivendo de Arte. A Arte a transformou em professora e repassa seus conhecimentos, há sete anos, em um colégio de Araçatuba. Venda de trabalhos? Nem sempre, mas acontece. Tem também as oficinas e os projetos como Bando Arteiros, Deixa que Eu Conto  e o Óptica Sonora, onde participa pelos editais das instituições de cultura. Tem trabalhado bastante.
Fernanda acha importantíssimo o artista dialogar com o público, é uma maneira muito eficaz de divulgação do próprio trabalho e de ideias da arte. Para isso, mantém algumas ferramentas de diálogo, sobretudo digital, como o blog www.fernandarusso.blogspot.com, onde mostra seu trabalho e fala de arte em geral. É responsável pelo blog do Bando Arteiros (www.bandoarteiros.blogspot.com) e mantém uma página com muitas imagens de trabalhos seus no www.flickr.com/fernandarusso, além de interagir pelo facebook.
Dentre as obras de arte que mais a emocionam gosta de citar “Os Retirantes”, do brasileiro Cândido Portinari, pela carga de sofrimento e expressividade fortes na obra. "Impossível não se emocionar", finaliza a artista.
Bom, por hoje é só. Até a próxima semana.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A IMAGEM EM MOVIMENTO

*Professora universitária e mestre em mídias digitais
Partindo do principio de que o cinema é “a arte que se relaciona com todas as outras”, hoje vamos olhar para a Sétima Arte com um olhar fotográfico. Isso mesmo, Cinema e Fotografia, mais uma dupla que mudou o mundo dos filmes. A fotografia é a base do cinema e permite a contemplação de lugares reais ou não, apresentados nas cenas cinematográficas.

O profissional responsável pela fotografia de um filme é o Diretor de Fotografia, tendo como sua matéria prima a "luz", que pode ser composta por sombras ou contrastes; é a "luz" que cria "um clima" no filme.  As cenas podem ser captadas em ambiente natural ou não, e a composição de uma cena envolve em torno de 24 fotos associadas ao movimento e ao perfeito enquadramento. O olhar do diretor de fotografia vai além dos outros profissionais, ele visualiza o resultado, já que precisa imaginar se a cena irá provocar a devida emoção no público, assim ele reúne a técnica e a arte em uma imagem só.

O sucesso da fotografia de um filme conta, ainda, com a dedicação de outros profissionais, como o Diretor Artístico, o Continuísta, os Técnicos de maquiagem, entre outros que, em conjunto, trabalham para o sucesso do filme. É o fotográfico que direciona a visão do diretor geral, ele transfere seu olhar através da lente, é a produção de uma imagem extraída do cenário real, extrai o interno de um cenário.

O maior desafio do Diretor de Fotografia é capturar a essência dos personagens, e não dos atores. Por isso o mais importante é saber escolher o momento perfeito, o enquadramento certo, o plano correto, os equipamentos adequados para a captação do melhor das filmagens. É dele a tarefa de pensar em qual será a melhor maneira de contar a história e convidar o público a mergulhar no mundo imaginário do filme. 

Há cenas em um filme que só a fotografia transmite a mensagem, como podemos ver no filme Avatar (2009), em uma bela cena de fuga do personagem Jake (Sam Worthington ) de um monstro gigantesco. Confira a cena com o link abaixo, e coloque em prática seu olhar fotográfico. 

http://www.cineseries.com.br/noticias-cinema/trailers/confira-cena-de-fuga-de-2-minutos-do-filme-qavatarq/

Quando um filme atinge o sucesso baseado no destaque de sua fotografia, causa um grande impacto no público. Foi assim com Avatar, que no ano de 2010 foi o filme mais baixado na internet, com cerca de 16 milhões de downloads, e mesmo assim o filme arrecadou quase 3 bilhões de dólares com sua bilheteria.  

Avatar foi um marco no mundo visual do cinema, além de atingir números fantásticos foi um divisor no assunto fotografia, tecnologia e efeitos visuais. O filme, que é um longa-metragem, teve sua fotografia dirigida por Mauro Fiore e conta a história de um jovem que ficou paraplégico na Terra e é selecionado para participar do Programa Avatar, no lugar de seu irmão gêmeo, já falecido. Como não são capazes de respirar em Pandora, eles criaram seres híbridos, chamados de Avatar. Esse filme vale muito a pena ser visto; o diretor James Cameron conseguiu nos levar a um mundo imaginário incrível.

O personagem e seu avatar, ao fundo.

Agora, um filme que é possível ver com intensidade a união da fotografia com efeitos de maquiagem é O Curioso Caso de Benjamin Button. Tem no elenco o casal Brad Pitt - encenando o Benjamin Button, que nasceu de forma incomum: velho e morreu novo - e Cate Blanchett, que vive Daisy, por quem Benjamin se apaixona. Ao longo do filme se vê uma bela história que fala sobre o amor, a vida e a morte. Com cenas marcantes, Benjamin nasce com mais de oitenta anos e rejuvenesce a cada dia que passa e que, mesmo assim, vive a vida e percorre seus caminhos.  No decorrer do filme, enquanto Benjamin fica jovem, Daisy envelhece e, aproximadamente na metade do filme, o roteiro dá um show e coloca os dois com a mesma idade aproximadamente. Por ser também um longa-metragem, está recheado de cenas impressionantes, mas algumas são mais marcantes, como a que Daisy sofre um acidente e a morte de Benjamin, já um recém nascido, nos braços dela, olha para ela, fecha os olhos e morre....imperdível.  

A cena abaixo mostra uma parte já no final do filme, em que Caroline, filha de Button, lê uma carta póstuma do pai, que diz coisas que gostaria de ter dito a filha; dá conselhos e ensinamentos de pai para filha sobre a vida, as escolhas e os caminhos a seguir. É de se  emocionar...


Trecho da Carta para Caroline

“Se quer saber, nunca é tarde demais para ser quem você quiser ser; não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar ou ficar como está, não há regras para esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa, espero que encare de forma positiva; espero que veja coisas que surpreendam você; espero que sinta coisas que nunca sentiu antes; espero que conheça pessoas com ponto de vista diferente; espero que tenha uma vida da qual você se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças para conseguir começar de novo”.

Cinema é, antes de qualquer coisa, sensação e emoção! Minha sugestão é que, a partir de hoje, você assista aos filmes com outros olhos, tente descobrir o que os diretores querem passar para a tela e com certeza sua opinião sobre os filmes mudará. 

O que tá rolando:
Gatsby (2013): é uma adaptação que conta com Leonardo di Capri no elenco e conta a história de Nick, que chega a Nova Iork em 1922, no ápice do jazz e farras exorbitantes e persegue o sonho americano. No seu destino está ser vizinho de Gatsby.

O que já rolou:
E.T – O Extraterrestre (1982): um garoto faz amizade com ser de outro planeta que ficou sozinho na Terra. Aos poucos surge entre os dois uma grande amizade. Ganhador de Oscar, é um filme para a família.

terça-feira, 25 de junho de 2013

AAL E MOSCA FELIZ

*Jornalista e escritor
Espero por você nesta sexta-feira (28), às 19h30min, no teatro Paulo Alcides Jorge, anexo à Biblioteca Municipal Rubens do Amaral, para a cerimônia de posse junto à Academia Araçatubense de Letras – AAL, seguida de lançamento do meu mais novo livro “Mosca Feliz” – coletânea de contos, crônicas, poemas e um ensaio.

Um momento, particularmente, muito importante por pelo menos três motivos: ingresso na AAL, lançamento do “Mosca Feliz” e reunião de familiares e amigos.

Quem imaginaria que o moleque franzino, nascido no interior do sertão cearense, do sítio da Pitombeira se quer chegasse à vida adulta? E se, com muita sorte, vingasse o rebento, talvez ficasse entre os anônimos da cidade, entre os das mãos calejadas que alimentam e constroem este País, sem crédito algum, “invisíveis” na sociedade. Entretanto, contrariando as estatísticas, cursa sua terceira graduação e, nesta semana, toma posse em uma das cadeiras de uma Academia de Letras, passando a ser considerado imortal.

“Mosca Feliz” é o meu quarto livro autoral. Com as coletâneas, já passam de quinze as participações em livros impressos; muitas delas organizadas por mim, como “Outros Olhares”, “Tantas Palavras”, “Gol de Letras”, “Araçatuba Leitora”... Os textos contidos no “Mosca Feliz” são resultado de aproximadamente cinco anos de produção literária. Alguns deles publicados aqui na coluna PALAVRAR,  O Liberal, e outros – a maior parte – escritos especialmente para esta obra. Assim como sugere o próprio título, são textos que transitam entre “queridos” e “nem tão queridos” assim; produções que talvez o leitor queira “guardar para si” e outras
que certamente quererá “jogar fora”. Como uma mosca, repugnante e útil, ao mesmo tempo. Além das produções literárias, há um ensaio com a revisão da fortuna crítica da poetisa Maria Ângela Alvim e uma entrevista inédita, feita com o poeta Francisco Alvim.

Costumo dizer que não gostaria de receber homenagens póstumas – apesar de não ter controle sobre isso. Meu desejo é que familiares e amigos comunguem das minhas alegrias e conquistas comigo em vida. Por isso, você que quer me ver feliz e dividir desse momento tão especial, compareça nesta próxima sexta-feira (28) na Biblioteca Municipal para receber um abraço meu.

Até lá!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

AQUECER E DESAQUECER A VOZ

*Formada pelo conservatório Tatuí e professora e regente de coral
Falaremos hoje sobre o aquecimento vocal e o desaquecimento vocal, importantíssimo para todos que fazem uso da voz profissionalmente.

O aquecimento vocal tem como objetivo primordial a preservação da saúde do aparelho fonador. Além de aumentar a temperatura muscular e o fluxo sanguíneo, favorece a vibração saudável dos músculos vocais (pregas vocais). Em média, os exercícios devem ser feitos de 10 a 15 minutos. 

O desaquecimento, menos citado pelos professores de canto e instrutores vocais, é tão importante quanto o aquecimento. O objetivo principal do desaquecimento vocal é a volta da voz ao ajuste fonorrespiratório coloquial. Ele deve durar de 5 a 7 minutos, e mesmo sendo curto, é suficiente para o retorno à emissão coloquial. 

É o cantor o profissional que mais utiliza as técnicas e instruções para a produção adequada da voz falada ou cantada, mas todos os profissionais que utilizam a voz como ferramenta em suas profissões devem estar atentos à saúde do seu aparelho fonador. 

Quais os profissionais que podem seguir essas dicas para o melhor desempenho da voz?

Existe uma tabela, feita por fonoaudiólogos, de uma subdivisão desses profissionais em categorias para melhor entendimento:

  • Profissionais da arte: cantores (erudito, popular e religioso), atores (teatro, circo e televisão) e dubladores;
  • Profissionais da comunicação: locutores e repórteres (televisão e rádio) e telefonistas;
  • Profissionais da educação: professores de diferentes áreas e graus, padres, pastores e fonoaudiólogos;
  • Profissionais de marketing: operadores, vendedores, leiloeiros, camelôs, políticos, oradores, entre outros;
  • Profissionais do setor da indústria e comércio: diretores, gerentes, encarregados de sessão, supervisores, entre outros; 
  • Profissionais do judiciário: advogados, promotores e juízes. 


Muitos profissionais da voz desconhecem a importância do aquecimento e desaquecimento vocal para o melhor desempenho de suas vozes em sua atividade profissional. 

AQUECIMENTO VOCAL:
É a realização de uma série de exercícios respiratórios e vocais, com finalidade de aquecer a musculatura vocal (pregas vocais), antes de uma atividade mais intensa para evitar a sobrecarga, o uso inadequado ou fadiga vocal. 

Além disso, os exercícios preservam a saúde do aparelho fonador, permitindo maior flexibilidade e projeção do som e melhores condições em sua produção. 

Em média, o aquecimento dura de 10 a 15 minutos, mas esse tempo pode variar de pessoa para pessoa. Isso dependerá muito do tempo que a voz será utilizada e do repertório ou material sobre o qual ela trabalhará.

ALGUNS EXERCÍCIOS PARA O AQUECIMENTO VOCAL:
  • exercícios de respiração profunda, mesclando boca e nariz;
  • alongamento da coluna, conciliando inspiração e expiração;
  • movimentação dos músculos do pescoço (lateralmente, para frente e para trás e rotação);
  • exercícios para abaixamento de laringe e para relaxamento da musculatura extrínseca (“varrer” o palato e rotação da língua no vestíbulo, mantendo os lábios unidos);
  • exercícios de vibração de lábios e de língua em escala ascendente;
  • exercícios com sons nasais glissando em boca chiusa;
  • sons nasais (m e n) associados a movimentos de língua e mastigação;
  • vibração de lábios e língua;
  • vocalização com sequência de vogais (i, ê, é. a. ó, ô, u);
  • exercícios articulatórios;
  • jogos musicais explorando a respiração;
  • trabalho com extensão vocal e controle de intensidade.

OBS.: Os exercícios para aquecimento vocal geralmente abrangem todas as categorias de profissionais, mas há alguns específicos dependendo da área de atuação. Para os operadores de telemarketing, por exemplo, é importante realizar principalmente exercícios com vibração de lábio e língua, exercícios respiratórios e articulatórios, humming, suspiro e bocejo. Em cada área haverá especificidades além dos exercícios básicos que abrangem todas as categorias de profissionais da voz. 

O VÍDEO ABAIXO PODERÁ AUXILIAR NA EXECUÇÃO ADEQUADA DO AQUECIMENTO VOCAL BÁSICO:


DESAQUECIMENTO VOCAL:
Como já dissemos anteriormente, o desaquecimento vocal é igualmente importante, embora muito ignorado. Devemos esfriar a voz, especialmente após grandes períodos cantando ou falando.  A voz deve ser devidamente desaquecida para que retorne a voz falada (em um diálogo). 

Eis algumas dicas:
  • bocejos com rotação da cabeça em vogais /a/, /o/ e /u/
  • fala mais grave e fraca;
  • sons nasais associados à glissando descendentes;
  • vocalizes em escalas descendentes;
  • massagens digitais: na laringe com movimentos circulares em volta da cartilagem tireoide, movimentos verticais na frente do pescoço e apertos na região da nuca e nos trapézios. A massagem auxilia a circulação local, levando a diminuição de um possível edema nos músculos vocais (pregas vocais) e na musculatura do pescoço causado por um uso intenso;
  • atividades de fraca intensidade também são bem vindas.


O VÍDEO ABAIXO PODERÁ AUXILIÁ-LO NA EXECUÇÃO ADEQUADA DO DESAQUECIMENTO VOCAL:


Espero ter auxiliado aos meus amigos leitores, por meio dessas dicas, para o uso adequado da voz. 
Até a próxima semana!

domingo, 23 de junho de 2013

SOPAS PRA QUEM QUISER!

*Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria

Para celebrar a chegada do inverno nada como uma sopa bem quentinha! A fumaça branca e cheirosa saindo da sopeira abre o apetite e aquece as noites frias. Alimento leve e nutritivo, a sopa é sempre lembrada para sustentar o acamado, curar a ressaca ou compensar os dias consecutivos de alimentação pesada ou, ainda, para consolar os que sentem fome neste período de frio.

No menu completo, a sopa vem logo após a entrada; também pode ser considerada como primeiro prato ou apenas uma preparação do paladar para o prato principal. Está presente em todas as culturas alimentares; também pudera, desde os tempos mais remotos, quando o homem primitivo descobriu o fogo e ferveu a água, surgiu a sopa! Percebeu que podia tornar os alimentos mais macios para comer e a carne de caça mais saborosa ao cozinhá-la com ervas e outros legumes.

A sopa está presente na mesa do pobre e do rico como principal elemento da alimentação popular, sobretudo dos camponeses, num prato único e substancioso para a família toda, ou no repertório culinário da nobreza com caldos fartos em carnes, legumes e condimentados com muitas especiarias. O "toque de classe" na arte de prepará-las veio com a culinária francesa e italiana, que introduziu no preparo as massas e ervas aromáticas como tomilho,  orégano e a manjerona. As mais refinadas técnicas francesas batizaram os nomes das sopas com nomes de reis da aristocracia: crèmes, bouillons, bisque, veloutés, potage, consommés.

A base para uma boa sopa é um bom “fundo” (caldo), preparado artesanalmente com a mistura de cebola, cenoura e salsão, conhecida na gastronomia por mirepoix. Os fundos podem ser de frango, carne, legumes ou peixe, claros ou escuros, são usados para dar sabor e servem de base para molhos e outras preparações culinárias. Diversos são os ingredientes que podem compor uma sopa: favas, abóbora, alcachofra, alho-porro, ervilha, couve, rabanete, feijão, lentilha, palmito etc. Também é possível colori-las com açafrão para ficarem amarelas, leite para ficarem brancas, molho de tomate para a cor vermelha e também o nosso brasileiríssimo urucum (também conhecido como colorau), ou verdura para os caldos verdes.

Uma conhecida sopa italiana é o minestrone, originária da região de Gênova, preparada com hortaliças, feijão, batata, cenoura, abobrinha, tomate, espinafre e algum tipo de massa grano duro ou fresca e recheada, em alguns lugares substituída por arroz. Minestra (sopa) e one (aumentativo) ou seja, vulgo “sopão”. Lá no oriente, também muito conhecido, temos o missô-shiru; trata-se de um caldo temperado com missô, uma pasta à base de soja, guarnecida com tofu (queijo de soja) e cebolinha. Como não poderia deixar de mencionar uma sopa fria, até porque, mesmo no inverno, num país tropical, sempre há um veranico, me recordo do gazpacho, uma preparação espanhola de Andaluzia, feita de tomates, pimentão, pão, pepino, bem condimentada.

Muitas outras sopas famosas poderíamos citar, afinal, como já foi dito, elas estão presentes em todas as culturas. Diferentes maneiras de servi-las: do tradicional prato fundo, sopeiras individuais, bolls, canecas, xícaras, no pão italiano, em mini aboboras. Para guarnecer e incrementar, ofereça um bom azeite, bolinhas de manteiga, queijo ralado, pimenta do reino moída na hora, croûtons, torradinhas, grissinis e cebolinha.

Para testar sua habilidade, segue a receita de uma sopa creme que aprecio muito. Bom apetite!

sábado, 22 de junho de 2013

QUANDO TUDO MUDA UM POUCO

*Jornalista e Turismólogo

Hoje, peço licença para citar uma obra literária e falar da vida, mesmo sendo apenas um leitor mediano. Acontece que tenho uma relação muito estranha e divertida com a obra “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Márquez. A primeira afinidade é pela qualidade do texto: indiscutível.  A segunda, é por algo bem curioso e particular: todas as vezes que me atrevo a relê-lo, minha vida, assim como a dos moradores da pequena Macondo, também muda.


Como diz a canção de Chico Buarque, a roda viva vida sempre me envolve e me leva para outro lugar quando pego o livro e começo a acompanhar a vida dos Arcádio Buendia. E foi em uma destas ventanias provocadas pelo livro que vim parar em Araçatuba, há oito anos. Ao tentar reler esta obra-prima que aconteceu. Começou com uma proposta profissional, em um telefonema no final da tarde, e acabou, de repente, em uma mudança de "mala e cuia", com direito a criança chorando e esposa apreensiva. Saímos de Andradina e, desde então, só voltamos para lá pontualmente. 

Assim, a vida muda de uma hora pra outra, mas, quando olhamos com atenção, os cenários são outros e a essência dos personagens são quase sempre as mesmas. Há uma frase que ouvi do escritor Mário Prata que nunca mais saiu da minha cabeça. 

Em uma entrevista que fiz com ele via Folha da Região, perguntei o que sentia quando viajava para Lins, sua cidade de infância. Ele fez uma pausa, pensou e fez uma confissão. Ele me disse que quando voltou à cidade, anos depois, achou que muita coisa havia mudado. Depois, com o tempo, notou que, na realidade, nada tinha mudado.

E assim acaba sendo a vida da gente. Parece que tudo mudou, mas as mutações não são tão céleres como acreditamos. O ser humano demora um pouco mais para se formar em outro, pois a revolução tem que vir de dentro, e isso demanda, além de tempo, disponibilidade. Assim como está escrito no “Cem anos de solidão”, o mundo avança, mas dando voltas ao redor do sol. Se não nos reinventarmos, apenas vamos andar em círculos, seguindo o curso do mundo, que vai e volta ao mesmo ponto.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

FOCO, POR FAVOR!

*Graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie

As recentes manifestações que reanimaram a população brasileira em favor da diminuição das tarifas de ônibus em diversas capitais, mostram que, de um modo geral, a população está insatisfeita com a administração pública, e com as decisões tomadas pelas autoridades ao longo dos 21 anos que nos separam das últimas manifestações populares de proporções semelhantes. Antes de entrar no tema de hoje, gostaria de ressaltar meu repúdio à Polícia Militar do estado de São Paulo que agiu de forma violenta na quinta-feira, enquanto eu e alguns amigos participávamos do protesto na capital paulista.

É válido ressaltar a falta de vergonha da própria polícia e de órgãos como o Datafolha em afirmar que as manifestações em São Paulo movimentaram apenas 65mil pessoas. Ou a polícia desaprendeu a contar, ou acredita que nós não sabemos fazê-lo. Quando há passeatas como a Passeata Gay, que toma a avenida paulista por inteira, a polícia divulga um público de 1 milhão de manifestantes, da mesma forma como acontece com outras manifestações como a Marcha para Jesus ou similares. Na noite de segunda-feira, a população paulistana tomou a Avenida Faria Lima desde o Largo da Batata até além Avenida Berrini, num percurso maior e mais largo do que a Avenida Paulista. Fora estes protestos na zona sul, uma multidão de manifestantes concentrava-se na Brigadeiro Luís Antônio e na própria Avenida Paulista.

A multidão de manifestantes na capital paulista

Ora, ninguém aqui é estatístico, mas não precisa ter muita habilidade matemática para enxergar que sem nenhuma dúvida, as manifestações só em São Paulo mobilizaram mais de 1 milhão de pessoas. O que dizer então das manifestações em outras capitais como o Rio de Janeiro e cidades do interior do estado como a querida Araçatuba? Enquanto jornais como a “Falha” de São Paulo publicaram que cerca de 250 mil pessoas foram às ruas do País protestar, eu prefiro ver a realidade e acreditar que só em  São Paulo, esse número ultrapassa 1 milhão de manifestantes e pode chegar a 4 milhões em todo País. De qualquer modo, estes dois últimos parágrafos foram somente um protesto particular e não têm relação direta com o tema da postagem. Mesmo assim, gostaria somente de expressar minha indignação diante do que é reproduzido por aí sem qualquer senso crítico.

Voltando ao tema, é necessário lembrar que o grupo que começou estes protestos, Movimento Passe Livre, tem defendido o discurso de que o cerne do protesto é somente e tão somente contra o aumento das tarifas do transporte público. Qualquer protesto de insatisfação diante da saúde ou educação é muito bem vinda, entretanto não representa o objetivo central dos protestos. As manifestações contra a Copa das Confederações vêm ganhando força nas capitais que recebem os jogos e, particularmente, acredito ser um protesto legítimo e necessário. Desde o quarto protesto na quinta-feira, fiz questão de engrossar o coro que gritava “Copa do mundo, eu abro mão! Quero dinheiro pra saúde e educação!”. Pena que a polícia não gostou e mandou bala de borracha e gás lacrimogêneo em nós. Entretanto, temo que a dispersão dos temas crie um movimento de nacionalismo vulgar e descaracterize o que une o grupo. 

Entre patricinhas de olho azul e rastas de olho vermelho, almofadinhas pró PSDB e pseudoesquerdistas pró PT, os coros que se espalhavam pela avenida partiam de: “Fora Alckmin”, passando por “Enfia o dinheiro no SUS” e “Brasil, vamos acordar, um professor vale mais do que o Neymar”, até “Acabou o amor, isso aqui vai virar Turquia” e “Ei, Haddad, vai tomar busão! Alckmin também, vai andar de trem!”. Se por um lado é interessante ver que a insatisfação popular é generalizada, por outro é preocupante. Qualquer dissonância política ou ideológica dentro do grupo pode criar forças contrárias que passem a brigar por atenção e desfoquem o sentido original das  manifestações. 

É de urgente importância que nós protestemos contra a vergonha da nossa educação e a nojeira de nosso sistema de saúde, mas que criemos outro movimento com uma identidade particular e com pautas de discussão bem definidas para que não haja cisões. Precisamos de FOCO! Sou a favor de todas as reivindicações feitas, mas elas precisam acontecer uma por vez, ou ninguém irá escutar. Pelo bem da manifestação, não podemos deixar que isso vire uma micareta fora de época.

Ontem, durante o protesto na Avenida Paulista, o que vi me deixou bastante chateado. A avenida parecia um grande carnaval, cada um gritando o que queria, reclamando de todas suas insatisfações. Concordo que o protesto vai além dos 0,20 centavos, mas, nessa hora, precisamos ter foco para conseguirmos aquilo que realmente queremos, e não passear como grupos de dança, ficar bebendo até cair ou fumando maconha pela cidade. Isso é um protesto, uma manifestação, e não uma grande festa. Que  festa seja, sim, mas após conseguirmos o que tanto queremos. Daqui a pouco, vão distribuir abadás, e criar carro alegórico! 

Vamos manifestar contra a situação do nosso País, mas o mínimo de organização é necessário! Depois que conseguirmos abaixar o valor das tarifas, vamos criar outro movimento por um outro motivo justo. Não acredito que deveríamos abandonar os gritos e cartazes que apontam para outros problemas, mas em nenhuma hipótese devemos atropelar o objetivo principal deste protesto! Que as outras indignações sirvam para mostrar às autoridades que depois que a tarifa abaixar, nós vamos colocar outro assunto em pauta, protestar e parar a cidade. E enquanto estivermos protestando pelo próximo assunto, que os cartazes e gritos de qualquer outro tema não ofusquem o objetivo principal, mas apenas apontem para o próximo motivo. 

No próximo artigo, pretendo falar sobre mobilidade urbana e o sistema de transporte público de Araçatuba e São Paulo, afim de reforçar as críticas que o Movimento Passe Livre já vem levantando. Como urbanista, este tema me interessa, e acredito poder contribuir para a reflexão. Assim, aos poucos, de protesto em protesto, com a paciência histórica que Lenin nos ensinou, não podemos nos retirar da luta. Em meio a protestos pessoais, indignações sociais diversas, anarquistas, oportunistas despolitizados, trotskystas, cidadãos comprometidos com o futuro do País e vândalos cheios de razão, vamos em frente lutando pelas causas justas, uma de cada vez, com foco e determinação.

No primeiro texto publicado aqui no blog, eu apontei minhas questões sobre: o que é falar de arquitetura e urbanismo, ou qual o papel do arquiteto e, até mesmo, o que é arquitetura e urbanismo? Agora, em meio a tudo isso, acredito que ser arquiteto é também falar e lutar pelas cidades e causas sociais.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

OSNI BRANCO

*Artista plástica, contadora de histórias e escritora
Olá pessoal, tudo bem?

Esta semana gostaria de falar um pouco sobre este araçatubense, que hoje logra de reconhecimento – diga-se de passagem, merecido – internacional e mantém suas atividades artísticas no Brasil e no exterior, sobretudo no Japão: Osni Branco.

Seu despertar artístico se deu ainda na primeira infância, quando observava pescadores recolhendo frascos vazios de creme dental – que na época eram feitos de chumbo – para derreterem-nos e produzir com eles chumbadas para suas redes de pesca.

Todo o processo de fabricação dos pesos o encantava. Ver o metal sendo derretido em frigideiras, depois o líquido despejado em “canudos” de bambu até o metal se solidificar novamente era uma magia para o menino Osni.

O artista, dentro de sua filosofia de vida e de produção artística, faz questão de manter seu estúdio aberto a designers, joalheiros, demais artistas e pessoas interessadas em arte e cultura em geral. É comum também Osni Branco ministrar workshops e palestras das mais diversas sobre criação e fundição, em meio ao verde da paisagem presente em sua chácara, onde fica seu ateliê.

Dos mais de 40 anos em que morou em países como Itália, Estados Unidos e Japão trouxe vasta experiência, passada por meio de palestras e estudos a seus alunos e profissionais que com ele se relacionam. Sua produção contempla desde desenhos e pinturas até esculturas em metais diversos, rochas, acrílicos etc. e podem ser vistos em diversos cantos do Brasil e do mundo, como no campus da Unicamp, em Campinas e no Museu da América Latina em Seul, Coreia do Sul.

A “vida” é o principal motivo na produção artística de Osni Branco: “Estou sempre atento à natureza e ligado às pessoas, em todas as suas manifestações. Estar aberto para a vida é o ponto de partida”, afirma.
Abaixo, algumas obras do artista:








Bom, é isso. Até a próxima semana, então!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

OUVIR A CENA NO EMBALO DA TRILHA

*Professora universitária e mestre em Comunicação Midiática
Nesta semana, o papo é sobre TRILHA SONORA.  A música traz alma ao filme e, nesse contexto, é um importante elemento que compõe uma produção cinematográfica. Lembrando que a trilha sonora não se limita apenas à música, mas também ao conjunto de sons que faz parte de uma peça audiovisual, que pode ser um filme, uma novela, jogo eletrônico, telejornal ou qualquer programa de televisão. As músicas de um filme compõem a TRILHA MUSICAL, que podem ser originais (composta para o filme) ou não. Aliás, grandes sucessos de compositores e músicos vão parar na telona, já que é o sonho de muitos deles. É impossível ouvir Oh! Pretty Woman, de Roy Orbison e não se lembrar da cena do filme Uma Linda Mulher, em que Julia Roberts vive Vivian e faz compras na Rodeo Drive, endereço das lojas caras em Beverly Hills (EUA).


No início, a música foi tratada como algo menos importante do que realmente era para o cinema, mas com o passar do tempo isso mudou. A grande mudança ocorreu quando a música executada ao vivo durante as exibições dos filmes deu outra cara à Sétima Arte e conquistou o público. A música foi a primeira sonoridade a compor um filme. Mesmo antes da fala, ela já estava inserida no espetáculo cinematográfico. Foi assim que a música se tornou inseparável das histórias. E não dá pra separar mesmo; se trocarmos os sons e as músicas de um filme, ele não será o mesmo. É a canção que liga o personagem à trama, ela é capaz de sobrepor qualquer informação.

Em outro momento aparece a união dos sons aos movimentos, ou seja, a relação entre o movimento visual e o movimento sonoro. As cenas rápidas ou fragmentadas, com cortes sucessivos, podem ser acompanhadas pela música com ritmo acelerado.  A música, em conjunto com os sons, cria o clima no filme, seja de romance ou suspense. E não importa se é a hora do beijo ou do susto, tem que ter o som adequado.

Alguns filmes marcam tanto pela sua música que acaba sendo impossível ouvir os temas principais e não se recordar de alguma cena. Então feche os olhos por alguns instantes e tente se lembrar de qual filme são os trechos abaixo:


E aí, lembrou dos filmes ao ouvir as músicas? Em muitos casos, a trilha sonora passa a ser o destaque do filme, como é o caso de (500) Dias com Ela, que foi recheada de rock de todas as épocas e vai de The Smiths e Pixies até Regina Spektor e Dove; mas o destaque vai para a canção  You Make My Dreams Come True da dupla americana Daryl Hall e  John Oates. A cena em que Tom (Joseph Gordon-Levitt) sai do apartamento de Summer (Zooey Deschanel), após fazer amor pela primeira vez com ela, por quem é apaixonado. Na cena, o diretor Marc Webb ousou e apostou no surreal, abandonou a lógica e mostrou Tom como um cara tão apaixonado, feliz, que tudo ao seu redor é mágico e, sem o menor aviso, lança um musical na cena. É fantástico!


Alguns filmes vão parar nos principais ranques musicais por conta dos temas relacionados aos seu personagens, por isso preparei uma lista (aleatória) dos filmes que marcaram presença em sua época e fizeram sucesso nas rádios e programas de televisão.

Cantando na Chuva ARMAGEDON Titanic GHOST O Guarda Costas TUBARÃO Dirty Dance GREASE A Vida é Bela O REI LEÃO A Bela e Fera MOULIN ROUGE Rocky (Saga) ALLADIN 2001 – uma Odisseia no Espaço INDIANA JONES Top Gan NOS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE E o Vento Levou 007 Batman

Nossa! Daria pra listar muitos outros filmes que as músicas se tornaram marca registrada, mas por ora, ficam esses. Embora a música nos conduza à cena, existem produções que não destacam suas trilhas sonoras e, em muitos casos, saímos da sala do cinema sem nem nos lembrarmos das músicas que acabamos de ouvir ao longo da projeção. Assim, as trilhas são classificadas em fortes, fracas e despercebidas.

Se deu vontade de ver ou rever algum filme, prepara o vídeo, o sofá, a pipoca e vá em frente...Vai valer a pena!

Por essa semana é só. Até a próxima!

O que tá rolando:
Antes da Meia Noite (2013) – O casal Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) moram em Paris com suas filhas gêmeas. Ele tenta manter contato com o filho de seu casamento anterior. Quando resolvem fazer uma viagem, Jesse convida seu filho Hank para a viagem e, nesse contexto, o filme segue com o casal que tenta se encontrar em suas profissões. O filme faz parte da trilogia Antes do Amanhecer (1995) e Antes do Pôr-do- Sol (2004).

O que já rolou:
A Bela e a Fera (1991) - Belle vive em uma pequena aldeia da França; é uma jovem inteligente e considerada pelos moradores diferente. Ela é cortejada por Gaston, mas o odeia. Seu pai vai a uma feira, acaba se perdendo e é atacado por lobos. Ao procurar abrigo, se torna prisioneiro de uma Fera, e Belle, ao procurar por ele, faz um acordo com o monstro que tem uma maldição que só poderá ser quebrada se amar alguém e essa pessoa retribuir o seu amor.

terça-feira, 18 de junho de 2013

CONCURSO DE QUADRILHAS

*Jornalista e escritor
Calma, são as das festas juninas!

Quem não se lembra das quadrilhas escolares? Muitos dos primeiros namoricos surgiram nas formações dos pares para as quadrilhas escolares nas festas juninas. Eu me lembro da Patrícia, na primeira série... A Patrícia era a menina mais linda das turmas das primeiras séries. Todo mundo gostava dela. Todo mundo queria ficar perto dela. Além de linda, era filha do dono da mercearia do bairro. Bom partido pra se casar! E ela era minha partner. Pois bem, mas aconteceu de, no dia da festa, ela pegar caxumba; e o que sobrou pra mim? A menina mais feia da sala! Tadinha, mas fazer o quê? Era feinha mesmo!

Já participei de várias quadrilhas juninas. Numa dela, quando era Diretor de Cultura em Araçatuba, fiz o papel de padre. Todos dançamos, fiz o casório e tudo o mais. Mas aí permaneci com a batina durante a festa. Uma senhorinha saiu lá de longe, de uma das mesas do fundo, e veio me pedir a “bênção”. Sem querer acabar com a fantasia dela – tal qual criança em dia de Natal à espera de Papai Noel – foi inevitável: “Deus te abençoe, minha filha!”.

O restaurante Zás Trás é um dos mais badalados em Natal.
Uma das mais emocionantes participações foi no bar e restaurante Zás-Trás, em Natal. Para quem um dia passar pelo Rio Grande do Norte, vale a pena visitar este local. Animado, cheio de coisas típicas do Nordeste: repentistas, contadores de causos, humoristas e... quadrilha. Lá, em certa altura do espetáculo que acontece à noite, os dançarinos descem do palco e saem pegando gente no meio do povo pra continuarem a dança com ela. Uma grande quadrilha é formada e a festa continua. Eu tive o privilégio de estar numa dessas ocasiões. Oh, coisa boa! Foi como voltar às raízes de meu Ceará e incorporar meus tantos ancestrais e familiares que levantaram muita poeira em terreiros e salões deste sertão de Deus.

Hoje, participo das festas nos bairros, nas quermesses escolares e o prazer é sempre o mesmo. Adoro as comidas e bebidas típicas dessa época do ano. Adoro sair pelas cidadezinhas vizinhas de Araçatuba e participar das comemorações juninas, jogar bingo – mesmo que pra não ganhar nada, comer frango assado com farofa, leitoa à pururuca, tomar vinho quente e quentão, espetinho de “gato” e tudo o mais...
Concursos de quadrilhas que movimentam o Brasil inteiro
É muito bom ver famílias reunidas, com criancinhas correndo para cima e para baixo numa alegria sem fim; senhorinhas e senhorinhos com seus gestos lentos, vozes miúdas, com farofas contornando-lhes os lábios; com jovens trocando olhares e combinando encontros em um canto escuro qualquer de praça ou nos tradicionais fundos de igrejas...

Aí fica a inevitável reflexão: que bom que todas as quadrilhas formadas no Brasil fossem para correr e brincar, comer e sorrir, flertar e beijar... Oxalá que todas as formações de quadrilhas tivessem esse fim nobre: fazer da humanidade algo cheio de alegria e prazer!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

EXCELÊNCIA

*Formada em música pelo Conservatório de Tatuí, professora e regente de coral
Vamos apreciar uma música antes da leitura? Ou podem ouvi-la enquanto leem.


                                 
Didn't My Lord Deliver Daniel – Traditional Spiritual
Arranged by Moses Hogan - University of Houston Moors School Concert Chorale

Há uma frase de Aristóteles que aprecio: “Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.” 

Toda a teoria e estrutura musical aprendida pelo artista, para o bom desenvolvimento de sua música, se comparam, e em muito, com as informações, com o conhecimento que adquirimos para o bem viver. Tanto na música quanto na vida os alicerces que levam à excelência partem de bases únicas: o hábito de buscar sempre o melhor jeito de viver... o melhor jeito de “musicar”...

Uma coisa que aprendemos sobre a música é que para ela existir precisa compreender 3 partes essenciais: Melodia, Harmonia e Ritmo. 

Melodia é a música acontecendo de forma horizontal, seguindo o seu curso, nota após nota, sons sucessivos que caminham isoladamente traçando a linha melódica daquela música. É aquilo que ouvimos da música e que repetimos. É a parte da música que fica gravada em nossas mentes de forma mais rápida e que nos pegamos a repetir. 

Já a Harmonia são os sons combinados. É quando a música, além de caminhar horizontalmente, combina-se com outras notas na vertical, formando os acordes. Essas notas agregam àquela primeira melodia solitária, muita beleza.

Após a melodia unir-se à harmonia e criarem juntas, na combinação de suas notas, maravilhosas consonâncias e dissonâncias, vem o Ritmo para participar dessa construção. Ele dá o pulso, dá o andamento, ele diz como devem caminhar a Harmonia e a Melodia. Ele indica a velocidade que a música deve ter.

Além disso, podemos incluir aqui a dinâmica, ela que traz as nuances de intensidade na execução musical, indo do fraco ao forte gradualmente ou inesperadamente. 
Aí vocês me perguntam: “Mas o que tem a ver a construção da música com a vida da gente?”. Eu lhes respondo: “Tudo!”

Em nosso passo melódico, sozinhos vamos construindo nossa história, com nossas vivências e nossas experiências, montando nossa linha melódica de vida a partir daquilo que já existe em nossa essência. Mas são as harmoniosas relações, independente de sua consonância ou dissonância, que constroem a nossa história. Nessas experiências que temos em conjunto, em tudo o que edificamos com o outro, ora apoiando, ora sendo apoiados, é que enfeitam a nossa vida. Relações que contribuem com a nossa história. Afinal, uma história é feita de personagens, não é mesmo?

Mas e o ritmo? Bem, o ritmo nos dará a velocidade de nossos passos. Trará orientação, dizendo quando devemos acelerar para alcançar nossos sonhos, ou para chegar mais rápido ao auxílio de alguém que precise de nós. Também nos dirá quando desacelerar, para haver a reflexão, para esperar um amigo, ou até para uma simples e revigorante contemplação da vida. 

E a dinâmica? Ah! A dinâmica é nossa capacidade de controlar a intensidade da vida. Saber calar, suavizar a voz e nossas expressões, ou deixar tudo mais intenso, mais forte, para se ouvir de longe, para impactar todos. A minha habilidade no uso da dinâmica me traz equilíbrio e me torna especial na vida de outros e essencial para a construção de nossa história. 

Pois é! Assim como na música, nossa vida precisa ter melodia, harmonia e ritmo, bem como dinâmica. A combinação dessas partes aliadas a todo o conhecimento periférico nos trará diariamente, habitualmente, a excelência que tanto almejamos para viver e “musicar”!

É impossível tanto na música como na vida, construir algo sozinho, algo de valor. Assim como as notas precisam umas das outras para criar a música que toca o nosso coração, nossas vidas precisam umas das outras para trazer uma canção diferente, perfeita e que impressione muitos ao redor. 

E, sendo assim...

..sigamos “melodiando”, mas... sempre juntos “harmonizando” no ritmo certo, colocando nossos passos na intensidade certa, rumo à EXCELÊNCIA.

Combinado?

Até a próxima semana, pessoal!