domingo, 29 de janeiro de 2012

Com salsicha ou com galinha?


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Tinha uma que era feita de fubá com salsicha e couve. Depois descobri que algumas das merendeiras subtraiam previamente, antes do intervalo começar, a maior parte dos pedaços de salsichas e, os poucos que sobravam no angu aguado, eram divididos meticulosamente entre os alunos; conchas cheias de sopa de fubá com um ou dois, às vezes três, pedaços de salsichas.
Mas aquilo tudo era uma espécie de maná caído do céu, banquete de deuses, já que a garapa ou mesmo arroz com feijão e, eventualmente, ovo frito ou linguiça-cabo-de-rei faziam parte do menu diário de nossas casas. A molecada ia mesmo para a escola era para comer. Esse negócio de estudar estava em segundo plano, para alguns, ou em terceiro ou quarto lugar para a maioria.
Havia uma outra – esta bastante disputada também – feita com macarrão parafuso e salsicha ou carne moída. Não víamos a hora de bater o sinal para o intervalo para pegarmos aquela fila longa, talvez só menor que a nossa fome, e pegarmos o prato lotado, devorá-lo rapidamente para entrar de novo na fila e repetir duas ou três vezes aquele ritual, a fim de matar a fome.
Durante a semana apareciam outras variações: arroz doce, mingau de chocolate ou baunilha, canja de galinha (que mais tinha osso do que carne, já que aquele esquema da subtração mencionado antes também funcionava para a canja de galinha) e, às vezes – acho que quando as cozinheiras estavam com preguiça de fazer comida – nos eram servidos bolacha ou biscoito do tipo champagne com leite.
Era uma vida de privações, bastante regrada. Tínhamos, sim, alimento em casa. Nossos pais eram trabalhadores; a maioria iletrado, pessoas bastante simples, que viam na escola, na educação uma saída possível para mudar o destino dos filhos. Escola sempre foi, para nossos pais, o lugar da esperança. O lugar do sonho possível.
Para nós, crianças sem luz (aluno é etimologicamente aquele que não tem luz), havia uma luz no final do túnel que era conhecida como escola. Mas não era para um futuro tão distante, não. Era o futuro da hora do almoço, do café da tarde, da emergência vinda da barriga vazia, da panela batendo o fundo, com os grudados de arroz quase queimado.
Falamos destas coisas, hoje, nas rodas de famílias, nos almoços de finais de semana e rimos. Rimos porque nos restou rir das nossas próprias limitações, das desgraças que não conseguiram acabar conosco, do destino que nos queria ver na pior, mas que não pode ver sua intenção consumada.
Rimos porque, como disse o poeta, é melhor ser alegre do que ser triste. Rimos porque, segundo pensadores e estudiosos, precisamos ter a capacidade de nos divertirmos com nossas próprias limitações, com nossa própria miséria.
Mas nesse riso também há um ranço de tristeza. Talvez – acho que no final é isso mesmo – talvez seja tristeza travestida de alegria, já que não há nada de alegre ver gente passando fome e se humilhando pra tomar uma sopa rala de fubá com salsicha ou canja de galinha, com a galinha subtraída.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor. Membro e diretor da União Brasileira de Escritores – UBE.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sarau literomusical - 10 de fevereiro, sexta-feira

A Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba e o Núcleo de escritores da União Brasileira de Escritores - UBE, Araçatuba, promovem na sexta-feira, 10 de fevereiro, das 20h às 23h30, no teatro Castro Alves, sarau literomusical, quando estarão lançando o

25.º Concurso de Contos Cidade de Araçatuba-SP.

das 20h às 22h, teremos declamações e músicas, inclusive uma performance de Duxtei Vinhas sobre obra de Lúcia Piantino, escritora homenageada pela Secretaria Municipal de Cultura na versão do concurso de 2012.

Às 22h, teremos uma perfomance dirigida por Luís Colevati, de Penápolis, denominada SÔNIA , baseada tem textos de Nélson Rodrigues, que será apresentada no pátio da Casa da Cultura Adelino Brandão, debaixo de uma armação de ferro, com capacidade limitada de espectadores.
 
Se você for poeta, músico, cantor e quer se apresentar no dia, entrar em contato com o Núcleo da União Brasileira de Escritores de Araçatuba - UBE, pelos e-mails:

Antonio Luceni: aluceni@hotmail.com

Duxtei Vinhas: itavo@terra.com.br

Hélio Consolaro: conselio@gmail.com

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Entregar na porta como ingresso um livro usado ou novo (romance, poesia, contos, crônicas, autoajuda, ensaio), que será destinado para os pontos de leitura da Secretaria Municipal de Araçatuba




terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CAIU NA REDE...


Como é interessante essa coisa de internet, não é mesmo?

Você sabe como é, né? A inveja é uma coisa horrosa. Um sentimento mau pra diabo! E a gente tem que ficar o tempo todo se policiando porque se não... vapt! somos seduzidos por ela.

Inveja é um sentimento que é uma mistura de ciúme, de admiração,  de anseio etc...

Quando é uma inveja que não prejudica nem o invejoso nem o invejado, chamamos de INVEJA SANTA!

Mas quando ela aparece de forma a prejudicar uma das partes, aí é INVEJA INVEJOSA mesmo! Não tem jeito. Alguém será prejudicado.

Para os mais superticiosos, vale tudo: arruda atrás da orelha, sal grosso com dentes de alho enterrados nele, espada de São Jorge, pimenta, ferraduras e patuás dos mais diversos. Até mesmo uma rezazinha de leve é feita. Melhor prevenir do que remediar!

No meu caso, acho que inveja é ruim somente para o invejoso. Não me atrapalha, não. Aliás, se eu não ficar sabendo, melhor ainda. Sigo meu caminho, corro atrás dos meus objetivos e pronto. Agora, se eu fico sabendo de algo, sinto pena. De verdade. Tanta energia - sim, porque o invejoso tem uma energia danada; talvez por isso tantos patuás! - desperdiçada com os outros, ou contra os outros, melhor dizendo. Já pensou se o invejoso aplicasse toda essa energia em si próprio, na busca do próprio crescimento? Ninguém o deteria.

Então, por isso acredito fortemente que o maior prejudicado numa relação de inveja é o próprio invejoso, que perde tempo com coisas, pensamentos e ações que poderiam beneficiá-lo.

Por conta disso, ACABEI CUNHANDO uma frase que funciona como uma espécie de talismã pra mim e que, tal qual eu sou, tira a situação no bom humor: SE MEU BRILHO TE INCOMODA, USE ÓCULOS ESCUROS!

Aí, logo quando comecei a participar do "mundo virtual", postei-a em meu blog e no face.

Vocês acretitam que ela caiu na Rede virtual por meio de um tag criado pela Marina Capito, em sua página no Facebook chamada "Para ler e pensar" e desde 20 de janeiro deste ano já foi compartilhado por mais de 1500 pessoas e curtida por outras mais de 500?

É, a internet é algo mesmo mágico.

Entre em minha página no facebook e confira: www.facebook.com/antonio.luceni

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Banana-nanica ou banana-maçã?

Antonio Luceni

Eu e minha família já passamos cada perrengue na vida, minha gente, que não foi brincadeira, não. E, infelizmente, não foi (e não é) exclusividade nossa. Por isso mesmo, quando vemos hoje um Brasil mais dinâmico, mais estável, financeiramente falando, devemos ficar felizes. E isso tudo é fruto de um processo longo, que foi iniciado desde a aprovação de nossa Constituição Federação e que se arrasta até os dias de hoje.

Certa feita, por motivo de um de meus irmãos – que agora me foge o nome – estar doente, minha mãe pediu para que eu fosse comprar meia dúzia de bananas. (Lá em casa era assim: algo mais diferente um pouco – uma fruta, um iogurte, um doce ou algo do gênero – só aparecia no comecinho do mês, quando saía o pagamento, ou quando um dos filhos estava doente, como uma forma de agradar o moribundo.

Acontece que minha mãe tinha pedido pra eu comprar banana-maçã e eu comprei banana-nanica. Isso porque já havia rodado duas ou três vendas no bairro – e imagine que a mais próxima ficava uns dois quilômetros de casa – e não tinha encontrado o raio da banana-maçã.

Quando cheguei em casa... hum! Aquela bronca.

- Não disse que era banana-maçã? Vá já trocar as bananas.

- Ah, eu não vou, não. Não vou, mesmo.

- Você vai, sim e é agora.

- Mas mãe, com que cara que eu vou entrar no mercado e pedir pra trocar banana?

- Com a mesma que você entrou e comprou estas.

O pior não era caminhar a via crucis tudo de novo, não. O pior não era enfrentar o sol “rachando coco” de Araçatuba por mais quatro quilômetros. O ruim mesmo era ter que encarar toda aquela gente (caixa, proprietário, ou fosse lá quem fosse) e pedir para... trocar banana! Muito humilhante, não acha? Meia dúzia de bananas? Quanto custa meia dúzia de bananas hoje? Por que não ficou com as bananas-nanicas e comprou as bananas-maçã? A resposta é óbvia: porque não tínhamos dinheiro.

Hoje, quando como banana os sentimentos dessa história são rememorados. Fico pensando “mas meu Deus, como é que não se tinha dois ou três reais para se comprar ‘bananas’?”. Fico imaginando quantos, como eu, têm que andar quilômetros ou, às vezes, até mais para comprar banana, farinha, feijão, arroz ou coisa do gênero para matar um desejo de algo que deveria ser normal e corriqueiro para o ser humano: comer.

Mas o pior de tudo, sabe minha gente, não é ter que andar tanto, nem ter que comer tão pouco e mal. Isso qualquer pobre o faz com maestria. Faz parte da rotina dele. O pior mesmo, a meu ver, é ter que ser humilhado por causa de um bocado e se expor como um ser incapaz, sem condições nem para comprar bananas.

 

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor. Membro e diretor da União Brasileira de Escritores – UBE.

Vamos para a Praia?


Por Irene Coimbra

Já estava anoitecendo quando ele chegou, tomou-me pela mão e assim me falou:
 
“Vamos para a praia? À noite é gostoso andar na areia ouvindo o barulho das ondas quebrando na beira!”
 
Tão carinhosa me soou sua voz, que não resisti pra ficar com ele a sós. Naquele instante seu convite aceitei, e com ele, alegremente, pela praia eu andei.
 
Com seu braço em meu ombro, íamos nós caminhando, parando algumas vezes, para o Mar ficar olhando.
 
As ondas vinham e molhavam nossos pés ali na areia, e o Mar pra nós murmurava: “Fiquem aqui a noite inteira!”
 
Não resistindo ao convite que ele pra nós fazia, ficamos ali na praia até amanhecer o dia. Durante a noite toda para mim ele cantou e o Mar, através das ondas, também o acompanhou.
 
As ondas sempre chegavam ali pertinho de nós e assim, a noite inteira, ouvimos do Mar a voz. Quando o sol foi surgindo com sua força total, vi nos seus olhos um brilho que jamais vira outro igual. Olhando então para mim, com aquele brilho no olhar, ele disse que era assim que sempre sonhara amar.
 
O Mar nesse instante pra uma onda perguntou: “Não é também assim que ela sempre sonhou?”
 
Uma onda gigantesca nesse momento surgiu como que enciumada de tudo que ali ouviu. Vi o Mar se enfurecer com aquela onda estranha e tudo então revolver com sua força tamanha.
 
Assustada com a mudança que via diante de mim a ele me agarrei e o ouvi dizer assim: “O Mar está furioso porque não foi compreendido por essa onda gigantesca que chegou com tal ruído. Mas pode ficar tranqüila que isso logo passará, você está em meus braços e protegida será.”

Me sentindo dominada por uma forte emoção, era como se dentro de mim batesse o seu coração, e enquanto seus fortes braços me mantinham abraçada, pouco a pouco me acalmava e não pensava em mais nada.

E como profetizara, o Mar logo se abrandou quando a onda gigantesca na praia se quebrou. Olhando para o Mar como se hipnotizada eu o ouvi murmurar: “Isso que viu não é nada!”
 
Sem querer acreditar naquilo que eu ouvia a ele me abracei enquanto ele sorria. Pude então perceber que pra ele era normal aquilo que para mim era um espetáculo sem igual. Ele tentava me explicar tudo que eu não entendia, e cada vez mais segura com ele eu me sentia.

E no instante mais sublime quando ele me beijou alguém entrou em meu quarto e... me Acordou!

* * * * *

Do livro “Simplesmente Poemas”, Editora Legis Summa – Pág. 142 – Irene Coimbra é professora e escritora. Membro da União Brasileira de Escritroes - UBE.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

REGRAS

Por Deise Machado*


Isto é regra
Não posso fugir
Não passe no sinal vermelho
Não beba se for dirigir!

Dia 28 do mês
Dia de menstruação....
Cadê a "regra", não veio?
Ai! Lá vem confusão!

Não desobedeça
Não infrinja
Não avançe
Não questione – regra é regra, e não há exceção!

Procure andar na linha
Siga as coordenadas
Ouça os conselhos dos mais velhos
Aja com atenção....fique de "antena ligada".

Viva assim que o sucesso lhe espera
Essa é a receita da felicidade
Não tenha preferências nem gostos;
Seja simplesmente seguidor de regras!
Por quê?
Não questione.
Regras são para serem cumpridas e não questionadas!

Deise Machado é educadora e Orientadora Pedagógica do Sistema Municipal de Ensino de Araçatuba/SP.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

ABRIL DESPEDAÇADO

PARA QUEM AINDA ESTÁ DE FÉRIAS (OU MARCANDO BOBEIRA NUM FINAL DE SEMANA), AÍ VAI UMA EXCELENTE DICA DE FILME: ABRIL DESPEDAÇADO - Walter Salles


Abril Despedaçado é livremente inspirado no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadaré. A adaptação para o cinema foi realizada por Walter Salles, Sérgio Machado e Karim Aïnouz, e as filmagens aconteceram entre agosto e setembro de 2000 nas cidades de Bom Sossego, Caetité e Rio de Contas, interior da Bahia.

Como em Terra Estrangeira e Central do Brasil, Abril Despedaçado reúne em seu elenco atores profissionais e não-profissionais. Na preparação dos atores, Walter Salles contou com a colaboração do diretor assistente Sérgio Machado e do ator Luiz Carlos Vasconcelos. A direção de fotografia é de Walter Carvalho e a música de Antônio Pinto, com a colaboração de Ed Côrtes e Beto Villares, e a participação especial de Siba, do conjunto pernambucano Mestre Ambrósio.

Abril 1910 - Na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue balança com o vento. Tonho, filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra.

Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará partida em dois : os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código da vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho...

fonte: http://www.abrildespedacado.com.br/




Forma de estimular leitura (Parte 1)

Há muitos modos de estimular a leitura. E todos nós sabemos o quanto é importante formar cidadãos leitores, conscientes de seus direitos e deveres.

Recentemente entrei em contato com o trabalho do grupo SAL E LUZ - AUDIOTECA, do Rio de Janeiro. Um trabalho de audiolivros, a partir de voluntariado, que empresta e distribui gratuitamente para todo o país livros gravados.

O trabalho voluntariado de ledores é um capítulo à parte na ação do grupo.

Veja mais informações no site: http://www.audioteca.org.br/ e no vídeo institucional abaixo. AJUDE DIVULGANDO.







terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A GAROTA ROCKSTAR

Sugestão de leitura para esse finalzinho de férias, o livro do confrade Jordemo Zaneli Junior.
Em Araçatuba, você pode adquiri-lo na Livraria Nobel (Araçatuba Shopping).



Uma realidade Rockstar?

O desaparecimento de uma criança de seis anos em um tumultuado evento terrorista em Atenas... Aflição dos familiares no Brasil e nos Estados Unidos. A influência de culturas diferentes, lugares pitorescos, regiões desoladas e sombrias, aventuras e lições de vida são elementos que impulsionam e formam a atmosfera de "A garota rockstar".

Entre histórias entrelaçadas, desde a imigração clandestina do México aos Estados Unidos até acontecimentos do dia a dia de cidades do interior de um País em desenvolvimento às metrópoles, situações e questões limite pelas quais já passamos, conhecemos alguém que as tenhas vivido ou já tenhamos ouvido de terceiros, muitas vezes, com perplexidade e surpresa. Muito que um dia já foi considerado surreal, mas que na sociedade atual, é transmitido por todos os meios de comunicação - sempre presentes!

Mais do que uma trama sobre a desventura da pequena Sabrinna, a obra apresenta a mobilização por ideais recriados, a apuração da sensibilização individual, a coragem que se transpõe em momentos de crise, as influências sociais que determinam o futuro de nossas vidas, a construção e resgate de valores.

O autor oferece nas entrelinhas e em notas de referência fatos e dados que contextualizam o enredo, numa ousada, mas perspicaz, estruturação textual, criada para situar os leitores no passeio por épocas e locais diferenciados.

A cadência da narrativa atrai pela busca do desfecho e também por estimular discussões e reflexões da atualidade. Uma proposta de entretenimento incrementada por uma oportunidade de ampliação da visão de mundo.

Fernanda Mariano
Jornalista e consultora de estratégias em comunicação

O leitor tem em mãos um livro que, de algum modo, o emocionará. Seja pela narrativa direta e fluida, seja pela tenacidade e garra das personagens, seja pelo tema e tópicos reunidos na narrativa ou pelo simples fato de partilhar das ideias de Jordemo Zaneli Junior.

Antonio Luceni
Escritor, mestre em Letras e Diretor da União Brasileira de Escritores - UBE

Uma obra na qual o leitor se surpreende a todo momento, envolvido com os dramas das personagens. Temas como drogas, família e violência entre povos provocam identificação imediata com o leitor.

Maira Cibele Miranda
Jornalista e publicitária

XXV CONCURSO DE CONTOS "CIDADE DE ARAÇATUBA"


Para escritores e interessados em literatura de modo geral, encontram-se abertas as inscrições para o tradicional Concurso de Contos "Cidade de Araçatuba", promovido pela Secretaria Municipal da Cultura de Araçatuba.

O já tradicional concurso - que a partir do ano passado passou a ser internacional/mundo lusófono, apesar de trazer no título "Cidade de Araçatuba" é aberto a todos os interessados de todo o mundo e também com temática livre.

Neste ano presta homenagem à escritora e ex-acadêmica da Academia Araçatubense de Letras - AAL e confrade na União Brasileira de Escritores - UBE.

Veja o edital do concurso abaixo:

EDITAL
Concurso Literário
25.º Concurso de Contos Cidade de Araçatuba

(internacional, mundo lusófono)


Art. 1º - A Secretaria Municipal de Cultura torna público o 25.º Concurso de Contos Cidade de Araçatuba (internacional, mundo lusófono), destinado a escritores lusófonos de países que têm o português como idioma oficial.
§1.º - As inscrições se darão de de 15 de janeiro a 03 de maio de 2012;
§ 2.º - Durante o concurso de 2012, será homenageada a escritora araçatubense, recentemente falecida, Sra. Lúcia Piantino.

Da Participação

Art. 2º - Para concorrer, os interessados deverão mandar um conto inédito digitado, com pseudônimo, para o e-mail: contosaracatuba@gmail.com , na forma de anexo (postagem eletrônica)

§1.º: entende-se por inédito o conto que não participou de nenhuma coletânea de vários autores, nem de livro do participante como autor único e/ou tenha sido premiado em outro concurso literário realizado no seu país;
§2.º: os textos devem ser escritos em português, de acordo com o novo acordo ortográfico;
§3.º: serão desclassificados os contos postados após 03 de maio de 2012. Apenas serão aceitas inscrições e textos remetidos por e-mail. O recebimento será confirmado também eletronicamente;
§4.º: serão desclassificados os textos que a Comissão Julgadora considerar plágio evidente.
§5º: serão desclassificados os textos digitados em qualquer outra formatação que não a recomendada nos Art. 3º , 4º e 5º.

Da Apresentação

Art. 3º - Os textos deverão ser digitados em corpo 14, espaço duplo, não ultrapassar 10 (dez) páginas, papel A4, margens de 2,0 cm, fonte “Times New Roman”, sem ilustrações, apresentar título e o pseudônimo adotado.

Art. 4.º - No endereço contosaracatuba@gmail.com , o participante manda sob a forma de anexo o conto, com título e pseudônimo;

§1.º: no endereço julgarcontos@yahoo.com.br , o participante deverá remeter o título de seu conto, seu nome, R.G., e endereço de correio (rua, CEP, cidade, estado, telefone (fixo e celular) e pseudônimo usado no conto.

Art. 5º. - A falta de algum dado que impossibilite identificar o autor do conto, caso seja premiado, desclassificará o concorrente.

§1.º: mais informações: www.concursodecontos.blogspot.com,
§2.º: o telefone (18) 3636 1270, e o e-mail secretariacult@gmail.com, serão canais de comunicação entre contistas e Secretaria Municipal da Cultura de Araçatuba.

Art. 6.º - Caso o conto do participante for premiado, este deverá apresentar em 10 (dez) dias fotocópia do R.G e do CPF (ou documento similar, se for estrangeiro), número da conta bancária (caso receba prêmio em dinheiro);, comprovante de residência (conta de luz, água, telefone fixo) para os concorrentes da categoria C; autorização de publicação, assinada, de seu conto premiado pelo concurso em coletânea dos contos vencedores.

§1.º - caso não cumpra tais exigências no prazo estipulado, o participante será desclassificando, sendo chamado o subsequente

Dos critérios básicos de julgamento

Art. 7.º - Ser um texto narrativo com viés literário, centrado num só conflito, com espaço e tempo concentrados conforme o gênero “conto”, apresentando:

a) a figura da personagem central;
b) verossimilhança (externa): relação com a condição humana;
c) focalização coerente e perceptível.

Art. 8º - Será instituída Comissão Julgadora composta por escritores e professores de curso de letras, convidados pelo secretário municipal da Cultura de Araçatuba.

§único – a comissão terá liberdade e autonomia de organizar seu trabalho de leitura e julgamento, tendo o prazo para entregar os resultados até 15 de julho de 2012.

Das premiações

Art. 9.º - Haverá três categorias de concorrentes:

a) contistas nacionais (exceto os contistas da região administrativa de Araçatuba)
1.º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais)
2.º lugar: R$ 1.500,00 (mil reais)
3.º lugar: R$ 500,00 (quinhentos reais)

Até cinco menções honrosas

b) contistas estrangeiros (mundo lusófono)
1.º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais)
2.º lugar: R$ 1.500,00 (mil reais)
3.º lugar: R$ 500,00 (quinhentos reais)

Até cinco menções honrosas.

Observação: a remessa do prêmio está condicionada às leis e regras

bancárias vigentes no Brasil.

c) contistas regionais (região administrativa de Araçatuba)
1.º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais)
2.º lugar: R$ 1.500,00 (mil reais)
3.º lugar: R$ 500,00 (quinhentos reais)

Até cinco menções honrosas

§1.º - entende-se por mundo lusófono os seguintes países: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Timor Leste, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde;
§2.º - entende-se por região administrativa de Araçatuba os seguintes municípios: Araçatuba, Birigui, Penápolis, Guararapes, Andradina, Brejo Alegre, Buritama, Auriflama, Bilac, Bento de Abreu, Rubiácea, Valparaíso, Mirandópolis, Lavínia, Guaraçaí, Murutinga do Sul, Castilho, Ilha Solteira, Itapura, Nova Independência, Sud Mennuci, Pereira Barreto, Suzanápolis, Santo Antônio do Aracanguá, Guzolândia, São João de Iracema, General Salgado, Nova Castilho, Gastão Vidigal, Lourdes, Turiúba, Nova Luzitânia, Coroados, Gabriel Monteiro, Piacatu, Clementina, Santópolis do Aguapeí, Alto Alegre, Avanhandava, Glicério, Luiziânia, Braúna e Barbosa;
§3.º - o participante natural da categoria “c” poderá renunciar a esta condição e optar por participar da “a”. Isso deve estar expresso na sua inscrição, ficando dispensado de apresentar comprovante de residência;

Art. 12.º - Os contos premiados, inclusive com menção honrosa, farão parte da coletânea “Contos selecionados”.

Art. 13.º - A entrega dos prêmios se dará em Araçatuba, no dia 14 de setembro (sexta-feira) à noite.

Art. 14.º - Os casos omissos serão resolvidos pelo Secretário Municipal de Cultura.

Araçatuba, 06 de janeiro de 2011.

Câmara Setorial de Arte Escrita
Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba

Hélio Consolaro
Secretário Municipal de Cultura

Biografia de Lúcia Piantino

LÚCIA MARIA MILANI PIANTINO nasceu em Campo Grande/MS a 09/05/1944. Estudou no Colégio N. S. Auxiliadora de C. Grande, onde concluiu o Curso Clássico. Estudou Belas Artes, ênfaseem Arte Moderna, no RJ. Formada em Letras. Professora de Português e Inglês. Lecionou em várias escolas particulares. Efetiva por concurso na EE Genésio de Assis onde se aposentou. Jornalista, escreve crônicas desde os 14 anos. Trabalhou em vários jornais: Ultima Hora em SP; em Araçatuba: Tribuna da Noroeste, A Comarca e Folha da Região, como redatora. Autora de livros de poesias, contos e do premiado romance “Boi Nu”. Membro da Academia Araçatubense de Letras e da União Brasileira de Escritores - UBE. Casada, um filho. Faleceu em 9/9/2011, em Araçatuba-SP.


Mais informações: 18 3636 1270 - Secretaria Municipal de Cultura - Araçatuba/SP

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

Fotografia retirada da internet

Por Antonio Luceni

Com imensa tristeza é que divido com meus leitores da notícia sobre a morte do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, ocorrida na madrugada desta segunda-feira, em Belo Horizonte, vítima de insuficiência renal, aos 66 anos.

Escritor dos mais sensíveis e também tradutor e crítico de arte dos mais interessantes e importantes de nossa terra, Bartolomeu Campos de Queirós era daqueles típicos mineiros que não "fazia pirofagia" para propor as coisas, para convocar-nos à reflexão sobre o ato de ler, escrever e do livro, enfim, sobre a condição do homem e a necessidade de que todos temos em consumir arte, em especial a literatura.

Ganhador de vários prêmios literários importantes, entre os quais o prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, o Jabuti, o mais concorrido da Literatura Brasileira, além de finalista do cobiçado prêmio internacional de literatura ifantojuvenil Hans Christian Andersen.

Bartolomeu escreveu para vários públicos, mas foi na literatura infantil e juvenil que ganhou maior visibilidade nacional e internacional, propondo e coordenando diferentes projetos nessa área, a partir de incentivos governamentais e empresariais.

Foi um dos idealizadores e coordenadores do Manifesto por um Brasil literário (www.brasilliterario.org.br), projeto que tem várias ações ligadas à leitura, à literatura e ao livro, com o apoio de diferentes empresas e instituições governamentais e não-governamentais, além do engajamento de diferentes intelectuais brasileiros e estrangeiros, assim como membros da comunidade civil.


Fotografia: acervo pessoal

Tive o privilégio de o ouvir por diversas vezes em palestras, lançamentos de livros e feiras do livro. Sempre num tom sacro-santo, de voz diminuída, quase apagada - resultado de sua mineirice, mas de um teor e propriedade ímpares.

O Brasil perde um grande escritor. O mundo perde um grande ser humano. Todos nós perdemos com a saída de Bartolomeu Campo de Queirós deste plano.

Mas o Brasil também ganhou com a sua passagem por este mundo. Todos nós fomos beneficiados com sua dedicação e envolvimento com a literatura. Todos nós ganhamos com os muitos ensinamentos e paixões que deixou registrados em forma de livro.

Vá com Deus, Bartolomeu.

Vá encher de alegria e de sabedoria o outro mundo para onde você se mudou agora.

Sorte de seus novos companheiros e amigos.

Biografia

Bartolomeu Campos de Queirós foi muito mais do que um escritor. Nascido em 1944, viveu a infância em Papagaio (MG). Com mais de 40 livros publicados (alguns deles traduzidos para inglês, espanhol e dinamarquês), formou-se em educação e artes, e criou-se como humanista. Estudioso da filosofia e da estética, utilizou a arte como parte integrante do processo educativo. Cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leitura no Brasil como o ProLer e o Biblioteca Nacional, dando conferências e seminários para professores de leitura e literatura. Foi presidente da Fundação Clóvis Salgado/ Palácio das Artes e membro do Conselho Estadual de Cultura, ambos em Minas Gerais, sendo também muito convidado para participar de júris e comissões de salões, além de curadorias e museografias.



Idealizou o Movimento por um Brasil Literário, do qual participava ativamente. Por suas realizações, Bartolomeu colecionou medalhas: Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres (França), Medalha Rosa Branca (Cuba), Grande Medalha da Inconfidência Mineira e Medalha Santos Dumont (Governo do Estado de Minas Gerais). Recebeu, ainda, láureas literárias importantes, como Grande Prêmio da Crítica em Literatura Infantil/Juvenil pela APCA, Jabuti, FNLIJ e Academia Brasileira de Letras.

Fonte: http://editora.cosacnaify.com.br/Autor/1310/Bartolomeu-Campos-de-Queir%C3%B3s.aspx

Outras notícias

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/01/morre-em-belo-horizonte-o-escritor-bartolomeu-campos-de-queiros.html

http://diversao.terra.com.br/gente/noticias/0,,OI5560426-EI13419,00-Morre+escritor+Bartolomeu+Campos+de+Queiros+em+Belo+Horizonte.html

http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/01/16/escritor-bartolomeu-campos-de-queiros-morre-aos-66-anos.jhtm

http://eptv.globo.com/lazerecultura/NOT,0,0,388738,Morre+o+poeta+Bartolomeu+Campos+de+Queiros.aspx

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,escritor-bartolomeu-campos-de-queiros-morre-em-minas,823195,0.htm

http://www.hojeemdia.com.br/entretenimento/morre-escritor-mineiro-bartolomeu-campos-de-queiros-1.393754





domingo, 15 de janeiro de 2012

AINDA ESTAMOS VIVOS, POXA!



Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

A gente sempre acaba encontrando alguém que mereça a gente.
É verdade que a vida é feita de fases. Lembro-me de como gostava dos dias de final de ano. Aquela agitação toda, luzes de pisca-pisca por todos os cantos da cidade, os laços dourados, as bolinhas – que na época eram de vidro – todas coloridas e cintilantes penduradas num galho de árvore, que buscávamos simular um pinheiro.
Já não gosto de mais nada disso e os natais estão cada vez mais chatos pra mim.
Como gostava dos filmes de Os trapalhões, A lagoa azul ainda me emocionava e ficava torcendo para que as personagens encontrassem algum navio que as tirasse daquela ilha, que era linda, mas totalmente inviável. E a Lassie? Como era legal assistir aos filmes dessa cadela espetacular... Super-homem e Lex Luthor, até do Xou da Xuxa já gostei...
Já não gosto de mais nada disso. Não suporto mais falar em Lagoa Azul e filmes de animais, puramente “interpretados” por eles, não assisto nem que me paguem.
É, as coisas mudam, meu caro. O mundo gira, a fila anda, as coisas mudam...
Algumas pessoas se aproximam da gente pelo momento que estamos vivendo. Pelas proximidades de gostos, até pela condição do desgosto, da profundidade do poço... Mas não vai durar para sempre.
Assim como não vai durar para sempre a felicidade ou a infelicidade do que quer que seja. Nós devíamos nos acostumar com o circunstancial. Depois de um dia longo de sol, precisaríamos esperar a noite. (E ainda que não a desejemos, ela irá aparecer. É inevitável).
Os contrastes da vida é que a tornam interessante. Essa coisa de felicidade eterna, de amor perfeito e imortal, funciona bem só em contos de fadas. E isso porque não continuamos a história! Se assim o fizéssemos, é possível que até nas histórias maravilhosas virasse tudo um “saco”.
E aí a gente passa a vida toda batendo numa tecla que não irá dar certo. Talvez tenha funcionado no começo, naquele momento em que pensamentos e gostos estavam aparelhados, em sintonia. Agora já não é mais assim, agora não funciona mais... E isso, repito, é normal. As coisas mudam, os gostos mudam, a dinâmica do mundo é assim...
Sim, vai doer um pouco. Sim, no começo vai parecer que não tem mais jeito, que as coisas perderam o brilho, não têm mais graça... No começo é assim, mesmo. Mas vai mudar. Vamos encontrando outros motivos para viver. Haverá outros amores por aí, outros ofícios mais estimulantes, outras praias mais limpas... Ainda estamos vivos, poxa!
No final, a gente sempre encontra alguém que mereça a gente. Com todas nossas qualidades e defeitos, com toda nossa implicância, com o jeito doido de cantar no banheiro, com todas nossas esquisitices...

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor. Membro e Diretor da União Brasileira de Escritores – UBE.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Leonardo Boff - programa Sempre um Papo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TROFÉU CAINGANGUE 2011

PARA OS QUE NÃO FORAM, UMA AMOSTRAGEM DO TROFÉU CAINGANGUE 2011

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O que tem literatura com arquitetura? (Parte 2)

Fábula de um arquiteto
João Cabral de Melo Neto




A arquitetura como construir portas

de abrir; ou como construir o aberto;

construir, não como ilhar e prender,

nem construir como fechar secretos;

construir portas abertas, em portas;

casas exclusivamente portas e teto.

O arquiteto: o que abre para o homem

(tudo se sanearia desde casas abertas)

portas por-onde, jamais portas-contra;

por onde, livres: ar luz razão certa.



2.



Até que, tantos livres o amedrontando,

renegou dar a viver no claro e aberto.

Onde vãos de abrir, ele foi amurando

opacos de fechar; onde vidro, concreto;

até refechar o homem: na capela útero,

com confortos de matriz, outra vez feto.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Que tem literatura com arquitetura? (Parte 1)


POEMA SUJO (FRAGMENTO)
Ferreira Gullar

O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade
mas variados são os modos
como uma coisa
está em outra coisa:
 
o homem, por exemplo, não está na cidade
como uma árvore está
em qualquer outra
 
nem como uma árvore
 
está em qualquer uma de suas folhas
 
(mesmo rolando longe dela)
O homem não está na cidade
como uma árvore está num livro
quando um vento ali a folheia
a cidade está no homem
mas não da mesma maneira
 
que um pássaro está numa árvore
 
não da mesma maneira que um pássaro
 
(a imagem dele)
 
está/va na água
e nem da mesma maneira
 
que o susto do pássaro
está no pássaro que eu escrevo a cidade está no homem
 
quase como a árvore voa
 
no pássaro que a deixa
cada coisa está em outra
 
de sua própria maneira
e de maneira distinta
de como está em si mesma
a cidade não está no homem
 
do mesmo modo que em sua
 
quitandas praças e ruas

domingo, 8 de janeiro de 2012

Será?


Antonio Luceni

Será que dará tempo de dizer que “eu te amo”?

Será que dará tempo de consertar aquela porta enguiçada que faz tanto barulho à noite? Aquela torneira que não para de pingar e que me está tirando do sério? Aquela rachadura que não há quem a segure, será que vai dar tempo de consertar?

Será que vai dar tempo de tirar a roupa do varal, terminar o almoço, levar o filho pra escola, pagar as contas no banco, montar a mesa para o jantar à luz de velas, me depilar e fazer cara de sex?

Será que dará tempo de desfazer os meus erros, insistir nas minhas ideias loucas, resolver os problemas do mundo, quando nem consigo dar conta dos meus?

Será que dará tempo de buscar novos ares, ler coisas novas, experimentar outros sabores, viajar, mergulhar, terminar os meus croquis, riscar a porcelana, concluir aquele xale, fazer musculação?

Será que haverá tempo pra ficar mexendo esse angu, enquanto tanta coisa acontece lá fora?

Será que o tempo terá pena de mim e irá me dar um tempo para eu poder resolver os meus grilos, retomar minha jornada e ser feliz?

Será que haverá tempo para as coisas bobas, para os gestos fúteis, bocejos, um tempinho a mais na cama, ficar olhando para o aquário, ver figurinhas nas nuvens, fazer espuma no leite, cortar as fatias de bacon bem fininhas, aproveitar o leite estragado para fazer doce?

Será que o meu sonho maior está sendo construído nesse exato momento de tempo?

Tomara que se comova com meu afeto de amor.

Tomara que os sons que me atormentam virem música boa para meus ouvidos.

Tomara que o sol seja intenso, mas que o vento alivie esse dia de calor e seque a roupa do varal. Se chover, que seja então somente uma garoinha, daquelas que não molham nada, só umedecem o ar.

Tomara que as pessoas não sejam tão criteriosas comigo, que me deixem errar, que me ajudem a suplantar meus erros e que eu também possa aprender com eles.

Tomara que não acabem com o mundo, que a Torre Eiffel fique no lugar dela, que o Coliseu fique intacto, que a Estátua da Liberdade pare de pé, que os vinhedos e campos de lavanda continuem florindo, que as pirâmides do Egito não se diluam, que não acabe o salmão no mar.

Tomara que tenhamos livros à mão cheia, boas ideias na cabeça, muita cor, muitos passos a dançar, muitas notas musicais invadindo nosso ar...

Tomara que o sorriso de criança, o cheiro de terra molhada, tapioca, mugunzá, vatapá, angu, churrasco e pururuca, um abraço, um amigo sejam sempre bons motivos para gente viver e sonhar.

Tomara que a gente se ajeite.

Tomara que a gente se aceite.

Tomara que tanto os de lá, os de cá e os que não querem em nenhum lado ficar, sejam mais tolerantes, se não cúmplices, militantes do amor, da paz e da fraternidade.

Eu acredito que podemos ser felizes.

Eu acredito que em nós está a solução.

Eu acredito na capacidade que temos de nos reconstruirmos, de fazermos diferentes, de plantarmos a semente, regar, cuidar e colher o fruto que nos fazer ser humano de verdade.

Eu acredito na fé que vem de Deus, que muitos o chamam de seu, mas que não o atendem quando diz: “amai, tolerai, acolhei, abençoai...”

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor. Membro e Diretor da União Brasileira de Escritores – UBE.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Antonio Gaudí - um mestre na arquitetura da vida

Por Antonio Luceni


Como gosto de aprender com as pessoas!
Quanto aprendo com os livros!

Com as pessoas o aprendizado é mais instantâneo, fico mais com o substrato. E isso é bom. Mas sinto falta dos detalhes depois. Sinto falta das entonações dadas às palavras, das palavras repetidas que servem como remédio para lembrança, dos gestos e tudo o mais. Sinto falta também de poder retomar tudo aquilo literalmente, da forma como foi dito.

Já com os livros, o substrato da leitura fica ao fechar a última capa, no virar da última página também. E sempre que preciso retorno aos ensinamentos, às palavras ditas tim-tim por tim-tim. Saio do livro como alguém que acaba de sair do banho: refrescado, limpo, com uma sensação de bem-estar que só sabe quem gosta de tomar banho.

Acabei de ler um livro de arquitetura, sob o título "Conversas com Gaudí", de Cesar martinell Brunet, editora Perspectiva, que me fez ter a sensação de bem-estar descrita acima. Um livro não muito extenso, pouco mais de duzentas páginas, de fácil leitura, já que se trata de relatos entre o autor e o referido arquiteto, mas de uma intensidade ímpar. Muito do pensamento, das percepções e concepções de história, filosofia, religião, arte, ética, política e, claro, arquitetura de dom Antonio - como é tratado pelo autor - está presente no livro.

Para cada capítulo escrito, dezoito no total, são merecidas paradas e reflexões. É importante também que a leitura (ou as releituras, com certeza necessárias) seja feita com um livro de história da arte ou arquitetura, ou mesmo diante de um computador com internet para que termos e citações de obras e elementos arquitetônicos - ou mesmo personagens históricos - sejam vistos, lidos e observados para que a compreensão do texto se dê por completo.

Fica aí a leitura recomendada. E acredite: as sábias reflexões e colocações do mestre catalão valem não somente para os estudantes de arquitetura ou arquitetos, mas para os interessados em perceber melhor o meio em que vivem, o nascimento de ideias e propostas interessantes, tal qual exemplificadas por Gaudí, que "valem como carvalhos, com todo seu vigor e imponência diante do processo pelo qual passam para serem o que são".

APROVEITE E LEIA TAMBÉM:


O livro: "Antoni Gaudí - vol. 4 - Coleção Grandes Mestres da Arquitetura" - Folha de S. Paulo - 2011.

O livro traz um panorama biográfico e das principais obras do arquiteto, exemplificadas com várias fotos e cronologia dos principais acontecimentos da vida do artista, além de fragmentos do repertório intelectual e cultural gaudiniano.

E O MUNDO NÃO SE ACABOU!

Antonio Luceni
alucen@hotmail.com

Cá estamos
É, cá estamos em 2012. Mais um ano se inicia, novas expectativas, novas promessas, desafios e mais desafios para todos nós. Talvez alguns queiram mesmo apagar 2011 de suas vidas por desgraças sofridas, por perdas dolorosas, pelo fato de ter sido um ano “murcho” mesmo. Outros, certamente gostariam de retomá-lo, vivê-lo novamente inteirinho, já que se deram bem nos negócios, já que o fato mais feliz da vida deles aconteceu justamente no ano que se passou.

Tempus fugit
Mas o tempo foge, se esvazia diante de nós. Como leão faminto ou dragão enraivecido o tempo vai passando e devorando tudo que encontra à sua frente. Não quer saber de raça, de sexo, de condição financeira, nem religião... vai consumindo a todos. O que resta pra nós? O que chamamos de presente, ou seja, aquilo que nada mais é que um relâmpago de futuro-passado-futuro. A incerteza é nossa melhor companhia o ano todo, e é com ela que planejamos coisas, que compramos e vendemos, que sorrimos e choramos.

E o mundo não se acabou
Fizeram filme e tudo o mais, previsões catastróficas, celeuma e mais celeuma e... NADA. O mundo não se acabou de novo. Só que desta vez é mais cruel ainda (ao menos para alguns): pode ser em qualquer momento do ano! Isto é: “eu falei que era em 2012, mas não disse quando dele seria!”. Não é o “ó”? Antes ao menos a previsão tinha uma data fixa, um dia ou semana do ano; agora, dizem que será no ano “tal”, em qualquer momento do ano. Aí, como diria uma amiga minha, “é de f...., hein, Vanilde?”.

As promessas
* Fazer regime. Preciso perder cinco quilos;
* Consertar aquelas coisas que estão paradas há tempos: uma torneira que não para de pingar, aquela tomada que ainda está na gambiarra...;
* Não mais me revoltar com as injustiças que ocorrem à minha volta, com a falta de bom senso de algumas pessoas, com a incoerência do mundo (quanto tempo irei resistir?).

Os pedidos
* Saúde para mim, minha família e amigos;
* Inteligência para discernir o bem e o mal e agir segundo os princípios da verdade, honestidade e ética;
* Entusiasmo para encarar todas as situações da vida, olhando sempre pelo aspecto bom e do aprendizado.

AQUELE ABRAÇO! Para Verinha da Secretaria da Educação. Nossa mulher que copia, nossa reprodutora mor do Xerox. Um ano bom e cheio de energia, minha amiga.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor. Membro e Diretor da União Brasileira de Escritores – UBE.